Mercado mostra pessimismo em relação aos juros
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2004
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - As instituições financeiras ouvidas em pesquisa semanal do Banco Central (BC) aumentaram de 16,33% para 16,50% ao ano a projeção da taxa básica de juros, a Selic, para fevereiro. Com esse movimento, os bancos entraram em linha com as estimativas mais conservadoras de mercado, que prevêem a manutenção dos juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. A previsão para o final de 2004 também foi revista e subiu de 13,50% para 13,63% ao ano. Não houve alteração na estimativa de 12,50% para o fim de 2005.
O ajuste do mercado na previsão dos juros está em linha também com a expectativa de uma taxa mais alta de inflação neste início de ano, já manifestada na pesquisa anterior do BC. A projeção do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro subiu de 0,70% para 0,75% na pesquisa desta semana. A estimativa para fevereiro, entretanto, permaneceu em 0,70%. Para 2004, a previsão do IPCA subiu de 6,01% para 6,02%.
Com o novo cenário, a previsão das instituições ouvidas pelo BC em relação à taxa de juros média para este ano subiu de 14,84%, na semana passada, para 14,99% ao ano. Para 2005, a projeção de juros médios aumentou de 13,04% para 13,10% ao ano.
O mercado aumentou também a previsão para o montante da dívida líquida do setor público. Ela passou de 56% para 56,10% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2004, e de 54,30% para 54,70% do PIB em 2005.
Nas contas externas, reduziu-se mais uma vez a projeção para o déficit em conta corrente de 2004, de US$ 2,50 bilhões para US$ 2,40 bilhões. Esta foi a sétima revisão para baixo dessa previsão, que era de US$ 3,20 bilhões há quatro semanas. O principal motivo da melhora foi a reestimativa para cima do superávit da balança comercial neste ano, que passou de US$ 20,40 bilhões para US$ 20,55 bilhões.


