São Paulo - O mercado financeiro tende a trabalhar em ambiente de otimismo e, portanto, com menos volatilidade (oscilação de preços e taxas) nesta semana. A decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), na semana passada, de elevar em apenas 0,25 ponto porcentual o juro básico americano, em linha com as expectativas dos investidores, e o aceno de que, por enquanto, o processo de ajuste dos juros seguirá gradual, sem fortes solavancos, deram novo alento aos mercados. ''A decisão do Fed afastou um fator de incerteza muito grande'', comenta o chefe da mesa de Operações do Banco Santos, Rodrigo Boulos. Reforçou o otimismo a divulgação, na sexta-feira, de dados que apontam a criação de vagas de trabalho nos EUA em junho abaixo das estimativas.
Boulos diz que a volatilidade nos mercados tende a ser menor também por causa das férias de verão no Hemisfério Norte, que levam à redução do volume de negócios. O mercado deve trabalhar em ambiente de mais calmaria, sem deixar de acompanhar atentamente a divulgação de dados da economia dos EUA que venham a sugerir os próximos passos do Fed na condução da política monetária. A próxima reunião do Fed está marcada para os dias 10 e 11 de agosto.
O clima de tranquilidade, diz Boulos, tende a ser mantido até que o Supremo Tribunal Federal (STF) retome, em agosto, a votação de cobrança da contribuição previdenciária dos servidores inativos. A melhora do cenário internacional e o aumento da oferta de divisas, pela volta das captações externas, tendem a manter o dólar comportado, num intervalo entre R$ 3,00 e R$ 3,08, nas próximas semanas, prevê.
Com efeito, estão a caminho várias emissões de bancos. O Votorantim prepara a captação de US$ 50 milhões; o Itaú, de US$ 200 milhões: e o Banco do Brasil, de US$ 300 milhões.
A provável ausência de pressão sobre o dólar, contudo, não é condição suficiente para a redução dos juros pelo Banco Central. ''Apostar em queda dos juros agora é precipitação.'' Para o executivo do Banco Santos, um fator importante para a definição dos juros, o risco país (que fechou sexta-feira em 623 pontos), continua bastante elevado e a inflação, que será engordada pela rodada de reajuste de tarifas de energia elétrica e telefone, deve permanecer pressionada nos próximos meses.

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