O mercado financeiro passou a ‘‘jogar’’ contra o real, o que tem contribuído para a elevação do dólar em relação à moeda nacional. Hoje, o dólar fechou em R$ 1,851, a mais alta cotação desde 14 de dezembro do ano passado. Na sexta-feira, o dólar fechou em R$ 1,840. A alta foi de 0,6%.
A insegurança provocada pela instabilidade nas Bolsas levou os bancos a apostar na valorização do dólar. Isso pode ser identificado nos números de contratos de dólar em aberto na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).
No dia 2 deste mês, o estoque de contratos em aberto de dólar futuro era de 120.062. No dia 19, último dado disponível, eram 153.808, um aumento de 28,10%. Quando o número de contratos em aberto aumenta, ao mesmo tempo em que a cotação do dólar se eleva, significa que a procura por posições compradas é maior do que a oferta.
Ou seja, a maioria do mercado financeiro avalia que o dólar vai subir e, por isso, aumenta as posições de compra.
Ficar ‘‘comprado’’, no jargão do mercado, é o mesmo que garantir determinada taxa do dólar no futuro. Muitos fecham contratos de compra para se proteger de uma alta do dólar quando têm dívidas na moeda norte-americana. Mas grande parte das posições é simples especulação. Isto é, uma aposta para ganhar com a desvalorização do real.
Se, na data de vencimento dos contratos, a taxa de câmbio estiver mais alta do que a cotação previamente estabelecida, quem ficou comprado ganha. Mas, se o dólar ficar mais baixo, perde.
Desde o ano passado, a taxa cambial absorve os choques na economia, sejam eles internos ou externos. Se as expectativas são positivas, o dólar tende a cair, pois não há tanta preocupação (ou especulação) com relação à oscilação do câmbio. Quando negativas, a moeda norte-americana costuma subir, como consequência de uma procura maior. Três profissionais do mercado financeiro confirmaram que a demanda por contratos de compra no mercado futuro aumentou muito nos últimos dias.
O (Banco Central) até agora não demonstrou interesse em segurar a taxa de câmbio. Um dos mecanismos de aumentar a oferta de dólar é colocar mais NBC-E (títulos corrigidos pelo câmbio) no mercado. Mas o BC tem preferido apenas rolar esses papéis, ou seja, feito leilões no mesmo valor dos vencimentos

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