Mercado já vê ambiente para reduzir juros
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domingo, 11 de maio de 2003
Tom Morooka<br> Agência Estado 
São Paulo -- O mercado financeiro tem como um dos principais focos a enxurrada de indicadores de inflação que vêm pela frente. A semana estará recheada deles e os dados devem influenciar a decisão do Copom sobre o rumo do juro básico no dia 21, no término da reunião que começa dia 20. A taxa básica vem rodando no nível de 26,50% ao ano desde fevereiro.
O interesse ficou reforçado depois que o Banco Central reafirmou, mais uma vez, que a inflação é a principal referência para o Copom calibrar o juro básico da economia.
Hoje, será conhecida a primeira prévia de inflação de maio pelo IGP-M; amanhã, terça, será a vez da inflação pelo IPC da Fipe na primeira quadrissemana deste mês. Terça também será anunciada a inflação em abril pelo IGP-DI, da FGV, e pelo IPCA e pelo INPC, do IBGE. Todos atraem a atenção do mercado, mas o interesse estará voltado principalmente ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial porque é mirando nele que o Banco Central decide o rumo dos juros.
A chegada dessa fornada de índices inflacionários tende a esquentar as discussões sobre os juros, cuja tendência deve ser influenciada ainda pelos indicadores que serão divulgados na próxima semana. No dia 20, data de início da reunião do Copom, será anunciada a segunda prévia de inflação de maio pelo IGP-M e no dia seguinte, dia da decisão sobre os juros, a inflação pelo IPC-Fipe na segunda quadrissemana de maio.
Desta vez, o mercado está cauteloso e dividido em relação ao rumo dos juros, sobretudo depois do discurso mais conservador adotado pelos integrantes da equipe econômica sobre o tema nos últimos dias. O diretor de Tesouraria do Banco Santos, Clive Botelho, está entre os que prevêem que o Copom deve insistir no conservadorismo. ''A menos que os próximos índices apontem clara desaceleração da inflação, o BC estaria em situação mais confortável se retomar o corte dos juros em junho.'' Segundo ele, pelas expectativas de momento, o mercado deve iniciar a semana um pouco mais realista, trabalhando, quando muito, com possível adoção do viés de baixa.
O diretor de Tesouraria do Banco Fator, Sergio Machado, comenta que, se o Copom seguir à risca a política de metas de inflação, o espaço para o corte de juros é estreito. ''A inflação inercial (pela recomposição de margens de preço) ainda continua forte, a queda é vagarosa e o core (núcleo da inflação, excluídas as pressões sazonais) está elevado.'' Mas ele não descarta uma poda no juro. ''Seria saudável uma redução de meio ponto e até de um ponto, no máximo.''
Além da atenção com a inflação e de especular sobre os juros, o mercado estará de olho ainda no andamento das reformas no Congresso e no comportamento das bolsas dos EUA.


