São Paulo A desaceleração da inflação vem ocorrendo em ritmo mais lento do que o esperado e a possibilidade de um novo aumento dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já não é descartada entre analistas do mercado financeiro. A inércia inflacionária herdada de 2002 ainda se mostra resistente - o porcentual de produtos que registraram aumento no IPC-Fipe de janeiro, por exemplo, ainda é de 82,1%, contra um pico de 89,3% na segunda prévia do mês -, a guerra no Iraque pode afetar ainda mais o câmbio doméstico e os preços do petróleo no mercado internacional e as expectativas dos agentes financeiros sobre o comportamento da inflação, depois de uma pequena trégua, voltaram a piorar.
''Algumas semanas atrás, houve alarde sobre uma 'forte desaceleração' da inflação por parte da mídia e de algumas instituições, mas não é o que está acontecendo'', comenta o economista Fábio Akira, do JP Morgan. Ele lembra que os núcleos dos índices de preços divulgados recentemente continuam elevados e os reajustes dos combustíveis reforçaram a influência negativa dos preços administrados sobre os índices.
Para o economista Luís Afonso Lima, do BBV Banco, as apostas de queda mais rápida da inflação por causa de uma forte redução nos preços dos alimentos em ano de safra recorde - visão compartilhada pela autoridade monetária, segundo a última ata do Copom - podem não se confirmar. ''Uma safra recorde não é garantia de preços mais baixos na alimentação, até porque essa safra está concentrada na soja, enquanto os produtos de maior peso na inflação são o arroz, o feijão e o milho'', diz Lima.
Uma opinião destoante é a do presidente da Sociedade Brasileira de Estudo das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antonio Corrêa Lacerda, para quem a alta da Selic na próxima reunião do Copom é desnecessária. Segundo Lacerda, a escalada na taxa de juros, desde o segundo semestre do ano passado, precisa ter um tempo para atuar na redução da inflação. Ele considera a atual taxa Selic (25,5%) bastante elevada.

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