Mercado interno alivia queda do PIB e reduz pressão sobre o Copom
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terça-feira, 09 de junho de 2009
<br> Agência Estado 
Brasília - O mercado interno, fortalecido pelo consumo das famílias e do governo, conseguiu impedir que o desempenho da economia no primeiro trimestre de 2009 realizasse as previsões mais pessimistas e já leva economistas a melhorar as previsões para a economia no ano. O Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil, caiu 0,8% no período em relação aos últimos três meses de 2008 e 1,8% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. A queda em relação ao último trimestre de 2008 é inferior ao esperado por analistas, cuja mediana apontava uma retração de 2%, na margem. Em valores, o PIB somou R$ 684,6 bilhões.
Mesmo funcionando como um ''retrovisor'' da economia, a queda menor que a esperada pelo mercado pode aliviar a pressão sobre o Banco Central (BC) na condução da política monetária, na avaliação do estrategista do BNP Paribas Alexandre Lintz. Os juros básicos, hoje em 10,25% ao ano, podem cair para o nível recorde de um dígito hoje, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC termina o segundo dia de reunião para avaliar o nível de desaperto monetário necessário diante da evolução dos principais indicadores econômicos.
Concorda com Lintz o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, para quem as notícias menos ruins sobre o nível de atividade determinam que estão com os dias contados o ciclo de distensão monetária implementado pelo Copom em janeiro. ''O BC deve adotar uma postura mais cautelosa para cortar os juros amanhã (hoje), quando deve diminuir a Selic em 0,75 ponto porcentual. Em julho, a taxa deve diminuir mais 0,25 ponto porcentual e as reduções devem parar nesse ponto, em 9,25%.'' Mas, para ele, a desaceleração menos intensa do que o aguardado deve levar o País a crescer 0,5% neste ano.
Os dados também foram comemorados pelo governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou o aumento no consumo das famílias e do governo, salientando que as medidas anticíclicas adotadas pela administração federal já surtiram efeitos. O ministro avaliou que o resultado mostrou capacidade de recuperação da economia brasileira e tem reagido melhor que outras economias.
Embora a queda do PIB tenha sido menor que a esperada, foi o segundo resultado negativo consecutivo. Nos últimos três meses de 2008, o PIB brasileiro caiu 3,6%. Para alguns economistas, dois trimestres consecutivos de queda configuram uma ''recessão técnica''. Além disso, a queda na comparação com o primeiro trimestre de 2008 é o pior resultado em iguais períodos desde o final de 1998, quando a queda foi de 1,9%.


