A produção nacional de trigo deste ano está estimada em 5,13 milhões de toneladas, volume quase 13% menor do que as 5,88 milhões de toneladas colhidas no ano passado. No Paraná, a situação é semelhante. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), a área cultivada com o cereal nesta safra foi 12% menor do que na anterior. Na safra 2010/11, o trigo ocupou 1,03 milhão de hectares dos campos paranaenses, diante de 1,17 milhão de hectares cultivados na safra 2009/10.
Entre os motivos desta redução estão as importações crescentes de trigo em grão e de farinhas, principalmente da Argentina, Uruguai e Paraguai. Atualmente, o Brasil consome 10,2 milhões de toneladas de trigo por ano e, para atender esta demanda, o País importa 40% do que consome. Esta concorrência reduz a liquidez e os preços do produto nacional.
Neste cenário, obter competitividade em relação ao grão importado ou até mesmo a outras culturas, como o milho segunda safra, se torna um desafio ao triticultor e um impasse à produção nacional do cereal.
A substituição do trigo pelo milho safrinha nas regiões Norte, Noroeste e Oeste do Paraná, os preços baixos do cereal e a demanda reduzida por parte dos compradores são apontadas como as principais causas da queda na produção no Estado. O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, Lucilio Alves, lembra que o milho está com boa liquidez e alta rentabilidade, o que incentiva os agricultores a optar pelo grão.
Segundo ele, os triticultores brasileiros têm investido cada vez mais na qualidade do produto, mas a mudança ainda não é suficiente para que os moinhos diminuam as importações. Por outro lado, os leilões para escoamento da produção nacional recebem boa adesão. Alves lembra que, nos últimos 10 anos, os compradores têm optado por aguardar os leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para adquirir o trigo nacional. Para ele, esta intervenção do governo é pontual e não resolve o problema estrutural de baixa rentabilidade do trigo.
A engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi, comenta que nem sempre o milho estará em patamares tão positivos quanto agora e, por este motivo, não se pode cortar o trigo da produção brasileira. ''É preciso rever esta situação. O Paraná tem condições para plantar as duas culturas, mas este problema de preços e de falta de liquidez do trigo já é crônico'', avalia.
No entanto, essa redução da produção não tem sido suficiente para sustentar ou elevar os preços. Cálculos do Cepea indicam que a receita da atual safra deve ficar abaixo do necessário para cobrir os gastos com insumos no Paraná e no Rio Grande do Sul.
Levantamento do Cepea mostra que os preços pagos ao produtor paranaense estão no menor patamar deste ano. No oeste do Estado, os preços do trigo pão ou melhorador chegaram a R$ 22,90 por saca de 60 kg, valor 14,6% abaixo do máximo registrado este ano, que foi de R$ 26,80 em maio. Já no sudoeste paranaense, a saca está cotada em R$ 24,10, 8,6% mais barata do que a máxima de 2011, de R$ 26,36 em abril.

Imagem ilustrativa da imagem Mercado internacional prejudica triticultor