Mercado informal emprega 14 milhões de brasileiros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O mercado informal cresceu a um ritmo duas vezes maior que o da economia formal no Brasil. Enquanto a população total ocupada aumentou 4% de 1997 a 2003, a quantidade de trabalhadores de empresas informais cresceu 8%, passando de 12,9 milhões para 13,9 milhões. Grande parte (31%) alega ter sido empurrada à informalidade pela falta de vagas no mercado formal e a maioria não regulariza hoje o negócio por causa do alto custo dos impostos e da burocracia.
Esta é apenas uma parte da informalidade brasileira, revelada pela pesquisa Economia Informal Urbana, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
No Paraná, de acordo com a pesquisa do IBGE, 831.021 trabalhadores estão na informalidade, sem amparo previdenciário e social. A maioria trabalha por conta própria. A pesquisa revelou ainda a existência de 565.026 empresas informais no Estado.
Para o gerente de gestão do Sebrae em Brasília, Gustavo Morelli, o quadro da informalidade empresarial no País é assustador, à medida que cresce o número de brasileiros que estão à margem da formalidade. ''São 14 milhões de trabalhadores informais no País, que correspondem a 25% da mão-de-obra urbana'', afirmou.
A pesquisa mostra que no Paraná a maioria dos trabalhadores informais é do sexo masculino com idade entre 25 e 39 anos. Os empreendedores se confundem com os trabalhadores informais porque das 565 mil empresas do Estado, 417.704 empregam apenas uma pessoa. O maior setor informal no Paraná é o de comércio e reparação como pequenas lojas, camelôs, ambulantes e oficinas de fundo de quintal. O segundo maior setor informal é o da construção civil, com a existência de 113.417 empresas informais. A maioria dos profissionais dessa área trabalham por conta própria.
Das empresas informais paranaenses, 149.811 funcionam só em casa, sendo que 50.845 delas não tem local exclusivo de trabalho pela necessidade de divisão do espaço com a família. Outras 378.171 estão instaladas fora do domicílio.
Para Morelli, são dois os fatores que estão empurrando empresas e trabalhadores para a informalidade: o desemprego e a elevada tributação. Segundo o executivo, a maioria das empresas informais que obtêm receita até R$ 2 mil, consegue no máximo R$ 600,00 de lucro. ''Como pagar impostos, contador e ainda sobreviver com esse lucro?'', perguntou.
O grande problema é que 80% dos trabalhadores informais não contribuem com a Previdência. ''Mesmo os programas dos governos federal e estaduais direcionados à pequenas empresas não chegam à informalidade, que estão num degrau abaixo'', disse Morelli. Segundo ele, só com uma reformulação drástica na legislação nacional, essa marginalização poderia ser incorporada à atividade produtiva. (Com Agência Estado)


