Mercado importador de frutas está retraído
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quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Vânia Casado 
As importadoras de frutas já estão trabalhando com o freio de mão puxado antes mesmo de conhecer as medidas restritivas às importações decididas pelo governo. A redução das importações neste setor começou há pouco menos de 60 dias, quando a crise financeira motivou os fornecedores da Europa e Estados Unidos exigirem garantias reais para liberar a mercadoria.
A informação é da Importadora de Frutas Samar, de São Paulo, tradicional na importação de maçã. A empresa reduziu as compras em 30% este ano em função das dificuldades de negociação, já que os fornecedores estão exigindo pagamento em cash ou com carta de crédito garantida pelo banco. Neste caso, a empresa que importadar frutas acima de US$ 10 mil, ganha um prazo superior a 365 dias.
Segundo o proprietário da Samar, Edson Martini, as dificuldades começaram quando os fornecedores elevaram o risco do país e taxaram em 10% o pagamento com carta de crédito. Eles incluiram o risco Brasil desde que o país ganhou destaque nas manchetes internacionais de que seria a bola da vez da crise financeira.
Maxidesvalorização Martini afirmou que poucos importadores estão recorrendo à carta de crédito com o temor de uma maxidesvalorização depois das eleições. Se ocorrer uma desvalorização do Real teremos de pagar o valor de duas compras e não de uma, afirmou. Para Martini, as medidas restritivas às importações não passam de uma cortina de fumaça, porque as importações, pelo menos no setor de frutas, já estavam em queda.
Este ano o país deve importar 1,5 milhão de caixas de maçã e pera dos Estados Unidos e a Samar deverá entrar com 8% a 10% desse volume. No ano passado, importou 45% de todo o volume de maçã e pera importado dos EUA, que também atingiu 1,5 milhão de caixas. Em compensação, os importadores de frutas se voltaram para o mercado europeu que passaram a fornecer até 85% do volume consumido no Brasil.
Martini não acredita em queda drástica nas importações, porque o mercado se autoregula e parte para outros fornecedores. Ele disse que passada essa turbulência os fornecedores norte-americanos devem voltar a procurar os importadores brasileiros para desovar parte de sua produção de frutas que chega até três vezes superior ao consumo.


