Mercado ignora recomendação externa sobre ações da Copel
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quinta-feira, 09 de maio de 2002
Vânia Casado <br>Equipe da Folha 
Curitiba - A recomendação da corretora Merrill Lynch, rebaixando as ações da Copel, teve o efeito contrário no mercado financeiro. No Paraná, as corretoras passaram a estimular a compra das ações da estatal paranaense, e não a venda. Anteontem, a Merrill Lynch rebaixou as ações de duas companhias elétricas brasileiras: a Cemig, de Minas Gerais, e a Copel, do Paraná.
O analista Wilson Paese, da corretora Omar Camargo, está recomendando a compra, pelos ativos que a Copel apresenta. Segundo ele, o papel da estatal caiu quase 20%, desde o último dia 30, e é o momento ideal para aquisição. Paese informa que, este mês, o preço da ação ON caiu de R$ 17,00 para R$ 14,40 o lote de mil.
A justificativa aos clientes é que o balanço da Copel no ano passado foi bom, apresentando lucro de R$ 475 milhões, a dívida em dólar está sendo repactuada e a empresa vem exportando energia para outras regiões do País. Apesar da recomendação de investimentos e da alta que o papel teve no mercado anteontem, a ação da Copel voltou a cair ontem, fechando o pregão a R$ 14,40. Paese vincula a queda do papel ao mercado financeiro, que vem sofrendo abalos sucessivos com a divulgação das pesquisas eleitorais.
O analista Mohamed Talah Junior, da corretora Century Gestão de Recuros, também não levou a sério a recomendação da Merrill Lynch. Ele diz que na quarta-feira, quando a mídia divulgou a recomendação da corretora norte-americana, o preço do papel até subiu 3%. Segundo Júnior, as análises da Merrill Lynch não são acatadas pelos analistas brasileiros, desde quando a corretora tentou especular com ações da Telemar no mercado brasileiro.
A corretora norte-americana forçou uma baixa no preço das ações da Telemar, através de análises, para depois recomendar a compra dos papéis a seus investidores. A Merrill Lynch vem sendo processada por tentativa de especulação.
Procurada pela Folha, a diretoria da Copel não quis comentar as análises de mercado. Segundo a assessoria de imprensa, A Copel não se pronuncia sobre as avaliações das corretoras.


