Há dez dias do aumento da taxa de juros, que saltou de 29% para 49,7%, a economia nacional começa a se ajustar aos patamares que considera suportáveis para poder movimentar o mercado consumidor e sair da estagnação. No Paraná, alguns setores como o da venda de carros novos, eletrodomésticos, imóveis e lojas de varejo chegaram a aumentar os juros, seguindo a decisão do Banco Central, mas depois fizeram uma revisão nos valores e hoje a taxa real praticada gira em torno de 30%.
Alguns bancos também recuaram. O Banco do Brasil tinha uma taxa de 7,9% no cheque especial até o dia em que o governo federal anunciou o aumento dos juros. No dia 12, quando as taxas foram para 49,7%, o Banco do Brasil aumentou para 12% o índice cobrado no cheque especial, mas o percentual não se manteve neste patamar. O banco reduziu para 9,4% os juros do cheque especial e ainda criou uma nova taxa de 6,5% para clientes que possuem o cheque-ouro.
Também as operações de crédito direto ao consumidor, que estavam canceladas desde sexta-feira da semana passada, foram reabertas com uma taxa de 5,35% para empréstimos de até nove meses. Houve ainda a criação de uma linha de financiamento de 12 meses, com juros pós-fixado de 4% ao mês, mais Taxa Referencial (TR). Quem quer comprar veículos com financiamento do Banco do Brasil, ainda vai ter de esperar a reabertura do crédito.
Assim com as instituições financeiras de varejo, os bancos das montadoras também recuaram e as concessionárias puderam garantir ofertas melhores nos financiamentos dos carros zero-quilômetro. Com redução nas vendas, a Barigui Veículos decidiu vender os carros novos, com exceção do Fiat Marea, sem qualquer taxa de juros. A promoção foi feita porque a concessionária conseguiu um financiamento especial no HSBC.
Já o gerente de vendas da Slaviero, Antonio Carlos Silva, disse que a taxa durante a semana foi fixada em 4,8% pelo Banco Ford. Até a sexta-feira passada, a taxa era de 3,24% e o índice deve retornar a patamares menores nos próximos dias. ‘‘As taxas de juros estão oscilando a cada dia’’, afirmou Silva. Ele disse que as vendas diárias caíram de dez veículos para cinco ou seis, desde o aumento dos juros. A venda de carros financiados representa 80% da comercialização.
No setor imobiliário, os financiamentos da casa própria sofreram as consequências do aumento dos juros. O reajuste das prestações é feito com base na caderneta de poupança, mais a variação da TR, que dá um índice de 1,5% ao mês. No final de um ano, o aumento na prestação da casa própria chega a 30%.
‘‘O mercado de modo geral trabalha com uma taxa de 30% a 31% e não está praticando a TBan (Taxa do Banco Central), que está em 49%, afirmou o diretor de Relações com o Mercado da construtora Casa & Construção, Sérgio Guarita. Ele aposta que o governo federal vai baixar as taxas num prazo de dois meses.
No comércio varejista de Curitiba, os lojistas sabem que terão problemas com o aumento da inadimplência, que atinge 48% da população economicamente ativa que compra no crediário. Os juros cobrados pelas lojas oscilam entre 6,5% até 9%, percentuais considerados acima da média de 5%, que vinha sendo praticada.
O presidente da Federação das Associações Comerciais, Ardisson Akel, disse que o setor está ‘‘preocupado’’ com o resultado das vendas neste mês. ‘‘As taxas estratosféricas derrubarão as vendas e por consequência a arrecadação de impostos. É um círculo vicioso, que não deixa o País crescer’’, afirmou. Ele disse que outra consequência direta da situação econômica do País é a quebradeira de várias micro e pequenas empresas, que não conseguem passar do primeiro ano de atividade.

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