A Bovespa novamente conseguiu se manter à parte da instabilidade em Nova York. O índice da carteira teórica paulista fechou em alta de 1% e o volume financeiro somou R$ 548 milhões. Em Nova York, a Nasdaq caiu 3,01% e o índice Dow Jones subiu apenas 0,16%, afetados pelo alerta negativo de lucros da Oracle e pelo fato de o índice de confiança do consumidor americano, feito pela Universidade de Michigan, ter recuado para 90,6 no final de fevereiro, ante o nível de 94,7 apurado em janeiro.
O dia foi agitado no mercado acionário, com rumores de que o BBV estaria comprando o Unibanco. Ambas as instituições negaram veementemente os boatos. Os setores elétrico e de telecomunicações foram o destaque do Ibovespa nesta sexta-feira. As elétricas foram impulsionadas pela decisão do Superior Tribunal de Justiça de permitir o enchimento do lago da Usina Sérgio Motta (ex-Porto Primavera), o que até hoje era o principal entrave para a venda da Cesp Paraná.
O mercado de juros continuou o seu movimento de recuo de taxas, devolvendo os exageros da alta da semana pré-carnaval. Os fundamentos negativos que o fizeram elevar as taxas antes continuam quase todos presentes – desaceleração da economia norte-americana, situação da Argentina, conflitos políticos em Brasília –, mas aparentemente os investidores consideraram que os prêmios dos contratos estavam interessantes demais para serem desprezados. Especialmente levando-se em conta que, no cenário interno, nem dólar acima de R$ 2,00 nem crescimento da atividade econômica estão ameaçando a inflação.
O dólar comercial voltou a fechar em queda, ontem de 0,64%, cotado na venda a R$ 2,028. A ausência de fatos novos significativos no cenário externo e a aparente calmaria na área política interna estimularam tesourarias de bancos a vender ontem boa parte dos dólares adquiridos na semana passada para hedge. Esse movimento de venda associado ao fluxo positivo à tarde motivaram a queda das cotações.
O mercado cambial continua cauteloso em relação à crise Argentina e à desaceleração da economia norte-americana, que motivaram compras para hedge na quinta e sexta-feira passadas. Mas a falta de novidades sobre a Argentina e a ausência de comentários sobre política monetária no discurso feito ontem pela manhã pelo presidente do Fed, Alan Greenspan, levaram o mercado a concentrar as atenções no cenário doméstico. Ontem, o comercial oscilou 0,89%, entre a mínima de R$ 2,027 (-0,69%) e a máxima de R$ 2,045 (+0,20%).
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)

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