Livros, CDs, DVDs, roupas, viagens, eventos e até brinquedos eróticos. Estima-se que, somente no ano passado, produtos como esses, voltados ao público cristão, tenham movimentado R$ 12 bilhões no País. A tendência é de uma expansão significativa deste mercado nos próximos anos. Além de uma variedade cada vez maior de "mercadorias gospel", o público consumidor cresce velozmente.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 1980, os evangélicos representavam 6,6% da população brasileira. Em 1991, eram 9%, e, em 2000, 15,4%. No último Censo, de 2010, haviam chegado a 22,2%. Em números absolutos, passaram de 26,2 milhões para 42,3 milhões de pessoas entre 2000 e 2010.
Em Londrina, a proporção de evangélicos é maior que a média nacional. No último levantamento do IBGE, eles representavam 29%, ou 147.258 pessoas – número que a missão internacional Servindo aos Pastores e Líderes (Sepal) acredita estar subdimensionado. Pesquisa feita pela instituição em 2010 dava conta da existência de 194.108 evangélicos, ou 38% da população. Havia na cidade, segundo a Sepal, 1.050 templos das diversas denominações.
Ciente da presença de crentes em quantidade acima da média nacional, o comerciante Eugênio Elias Ribeiro - que já tinha sua Livraria Família Cristã em Marília (SP) - decidiu expandir os negócios para Londrina, abrindo aqui sua segunda loja há pouco mais de um ano. "Por um lado a cidade tem muitos evangélicos e por outro poucos estabelecimentos voltados a esse público", afirma.
E o negócio vai bem, segundo ele. Tanto é que Ribeiro mudou-se para a cidade. "Em Londrina, temos a maior loja de produtos cristãos no Paraná. São 200 metros quadrados de área de venda", conta. O empresário não revela quanto fatura, mas diz que as duas lojas crescem em média 15% ao ano. "É um mercado promissor. Mesmo quando há crises econômicas, as pessoas não deixam de comprar. Pelo contrário, quando há dificuldades, elas buscam ajuda", declara.
O projeto de Ribeiro é ambicioso. Ele diz que o faturamento de hoje é 20% daquilo que pretende ganhar em cinco anos. Para isso, vai abrir novas lojas no interior de São Paulo e uma na capital paulista. "Buscamos atender o público mais amplo possível. Não tenho vínculo com denominação (evangélica). Atendemos também muitos católicos", explica. Somente na loja de Londrina, ele emprega cinco pessoas.
A vida do comerciante Cláudio Venâncio mudou depois que ele se converteu e foi transformando (de 1999 a 2005) sua loja de 1,99 em loja de produtos evangélicos: a Hamashia. "É um mercado em constante crescimento. Eu só prosperei vendendo produtos cristãos", afirma. E o crescimento não foi pequeno. Só para se ter uma ideia, Venâncio já comprou duas salas comerciais no condomínio onde mantém seu negócio.
O londrinense Nelson Gavetti, 31 anos, tem uma produtora, a Adonai Eventos, voltada especificamente para promoções gospel. Realizando shows pelas principais cidades do Paraná, ele atesta que o mercado evangélico está crescendo muito. "A gente brinca, dizendo que é a gospelização. É um mercado muito promissor", alega.
A cada show, outras seis pessoas trabalham diretamente com ele. Gavetti lembra que há uma série de outros prestadores de serviços que são envolvidos nos eventos gospel, como fornecedores de alimentos, gráfica e até ambulância. "O maior evento que fiz foi o Adora Londrina, em 2011, quando reunimos 10 mil pessoas", conta. De acordo com o empresário, um evento como aquele tem custo total de cerca de R$ 150 mil.
Os evangélicos realizam hoje a Marcha para Jesus, evento que pretende reunir 10 mil pessoas na cidade.

mockup