Mercado global vive 'hora da verdade'
France Presse
De Nova York
A hora da verdade chega nesta segunda-feira, quando as bolsas reabrem suas portas depois do desabamento, na semana passada, dos mercados norte-americanos. Na sexta-feira, os dois grandes índices do mercado de ações dos EUA afundaram. O tradicional Dow Jones caiu 5,66% e o Nasdaq da bolsa eletrônica, onde é cotada a alta tecnologia, Internet e a biotecnologia, baixou 9,67%.
Esta crise fechou uma semana negra, a pior do Nasdaq, que perdeu cerca de 35%, o que serviu aos especuladores que estavam aproveitando a explosão fora de controle dos títulos da nova economia para pôr os pés no chão.
Durante o final de semana, os grandes investidores tentaram tranquilizar os acionistas e os ministros de Economia dos sete países mais industrializados do mundo (G-7), reunidos ontem em Washington e que pareceram minimizar o fenômeno para evitar o desencadeamento de maiores preocupações.
Até o presidente norte-americano Bill Clinton, que primeiro destacou que tentava não falar nunca dos movimentos das bolsas, mostrou-se ontem confiante, porque a tendência a longo prazo é muito positiva para os investidores em ações.
O banco Merrill Lynch aconselhou os investidores a continuar se concentrando no longo prazo, sem ceder ao pânico, já que a volatilidade pode prosseguir a curto prazo. Embora a queda seguramente não tenha terminado, as bolsas se recuperarão mais tarde porque as bases econômicas dos Estados Unidos são sólidas e as perspectivas de crescimento no mundo continuam sendo positivas.
O anúncio, na sexta-feira de manhã, de um grande aumento dos preços em março nos Estados Unidos o maior em um mês nos últimos cinco anos para o índice básico (sem gasolina e alimentação) acordou velhos demônios.
O ritmo da inflação é duas vezes maior do que o previsto e pode deter a prosperidade econômica, segundo Lynn Reaser, chefe economista da divisão administrativa da carteira do Bank of America. A Reserva Federal deve, ante os fatos, subir suas taxas de juros para deter a demanda interna norte-americana, assinalou Peter DAntonio, do banco Salomon Smith Barney.
Ao elevar as taxas de juros, a Reserva Federal encarecerá os créditos, uma maneira de bloquear o consumo e o investimento das empresas, reanimar a demanda e a produção, atenuar as tensões do mercado de trabalho (o desemprego está em seu nível mais baixo em trinta anos) e sufocar as tensões inflacionárias.





