As corretoras especializadas em negociar grãos estão de prontidão para iniciar negócios futuros com a soja. O mercado está aguardando a divulgação do novo relatório do Usda no dia 12, quando se espera uma reação nas cotações internacionais. A partir de US$ 10,50 a saca, na região dos Campos Gerais, já fica interessante para o produtor travar negócios para entrega futura,
recomendou o corretor Antonio Carlos Lacerda, da Bentin Montes Corretora, de Ponta Grossa.
O Banco do Brasil também está de olho nesse negócio milionário. Esse ano, estréia com o lançamento de opção para soja, sendo que os contratos futuros podem ser feitos em qualquer agência, diretamente com a Bolsa de Chicago. Os negócios serão viabilizados através de convênio firmado com o banco australiano Mac Kuarie Bank. A opção do BB de trabalhar direto com Chicago para soja e com a Bolsa de Nova York para café, decorre da falta de liquidez da Bolsa Mercantil e Futuros, em São Paulo, que ainda tem compradores e vendedores que giram volumes insuficientes justificou Marcio Augusto Montella, analista de Agronégocio do banco.
Na região de Ponta Grossa, os grandes produtores já ‘‘travaram’’ negócios futuros da ordem de 80 mil a 100 mil t. Segundo Lacerda os negócios foram realizados em junho quando o preço do produto teve uma reação no mercado e as cotações alcançaram os US$ 10,50 a saca. Em seguida, houve retração e agora produtores e corretoras estão na expectativa de uma nova reação no mercado internacional, em função do possível anúncio da redução da safra norte-americana, para 75 milhões de t.
Para Montella, as perspectivas são boas para o novo serviço oferecido pelo banco, principalmente aqui no Paraná onde foi feito um forte trabalho para passar os novos conceitos de mercado junto ao médio e grande produtor. Ele não quis arriscar o volume de negócios que podem ser realizados esse ano.
A introdução do produtor no mercado futuro foi facilitada pela oferta das CPRs - Cédula do Produto Rural -, papel criado pelo banco em 1994, com liquidação física ou financeira. Na liquidação física, o produtor vende a produção no período do plantio, trava o preço e depois entrega a produção no período da colheita. Na liquidação financeira, o produtor quita o débito junto ao banco, no prazo fixado. Esse ano já foram feitas cerca de 8.000 CPRs, no valor de R$ 400 milhões, entre negócios com soja, café e demais produtos. Só para o Paraná, foram feitas 1.301 CPRs, no valor aproximado de R$ 60 milhões.
O valor mínimo estipulado para operações com negócios futuros é de 450 sacas de soja na BM&F e 2.282 sacas na Bolsa de Chicago, que gira em torno de nove vezes o volume da produção mundial de soja.

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