Vânia Casado
De Curitiba
Em dois ou três anos, cerca de 60% dos recursos que vão financiar a agricultura brasileira serão captados através da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Os recursos do crédito oficial ficarão restritos à agricultura familiar e a programas especiais do Ministério da Agricultura. A previsão é do ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, ao destacar que a fonte de recursos do governo se esgotou e que o médio e grande produtor devem procurar o mercado para financiar suas lavouras, à exemplo do que acontece nos países desenvolvidos.
Pratini de Moraes esteve ontem em Curitiba onde proferiu palestra na Associação Comercial do Paraná para empresários do agronegócios durante o seminário ‘‘Estratégias de Comércio Exterior’’. Durante a palestra, o ministro defendeu propostas para transformar o Brasil na plataforma do Mercosul para a exportação de produtos agroindustriais.
O ministro destacou que assumiu o ministério em meio a uma brutal crise que se abateu sobre a agropecuária, com os preços agrícolas sofrendo a maior queda dos últimos 20 anos. ‘‘Essa é a principal causa da queda de renda dos produtores, que originou o protesto do setor’’, disse o ministro. Pratini de Moraes considerou a manifestação legítima e afirmou que o caminho para solucionar o impasse é promover o aumento de renda no meio rural.
O mecanismo para aumentar a renda, segundo o ministro, passa pela elevação de preços dos produtos agrícolas, sendo que para isso o agricultor e as indústrias precisam de acesso ao mercado. ‘‘E é essa a tarefa que o Ministério se propõe: abrir mercados para os produtos da agropecuária’’, disse. Para viabilizar essa proposta, Pratini de Moraes disse que vai enfrentar três desafios: de logística, que implica na redução dos custos do transporte da safra; de marketing, para valorizar e ‘‘vender’’ a produção brasileira e de articulação com outros países, em defesa do livre acesso aos mercados.
Em relação ao financiamento da safra pela BM&F, Pratini de Moraes disse que esse sistema começa a ser implantado com a autorização de aplicações de recursos internacionais na Bolsa, pelo Conselho Monetário Nacional. Trata-se de um mecanismo onde o produtor poderá vender sua produção no mercado de futuros, sendo que a renda obtida com as operações irão financiar os produtores, que oferecem como garantia sua própria safra. ‘‘É preciso acabar com o sistema atual em que o produtor oferece como garantia de financiamento sua propriedade, tornando-a alvo execução.’
Sobre isso, Pratini de Moraes disse que vai participar hoje e sábado da reunião do Grupo de Carns na Argentina, com ministros da Agricultura de 15 países. Ele vai propor o aumento gradual dos limites das cotas de exportação, até sua eliminação total. O ministro disse que esse sistema de cotas e os subsídios representam um protecionismo difícil de combater. ‘‘Não há como lutar e ser competitivo contra o tesouro da Bélgica ou dos EUA, que subsidiam suas produções agrícolas’’, comparou.
O ministro destacou que a prioridade atual é apoiar e incentivar a exportação de carnes e frutas, que são os dois produtos que representam a comercialização de alto valor agregado, mas sofrem todo tipo de restrições externas. Ele afirmou que está concentrando esforços no Programa de Sanidade Animal que tem como meta erradicar a febre aftosa do país até 2005.

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