Mercado futuro é saída para produtores rurais
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O mercado futuro pode ser a saída para os produtores rurais na comercialização da safra. Com atuação na bolsa de mercadorias e futuros, os agricultores ficariam menos sujeitos a flutuação de preços no momento de vender a safra. ''Os produtores são eficientes da porteira para dentro, mas ainda não estão acostumados com o mercado. É uma questão cultural'', afirma Paulo Morceli, superintendente de Gestão de Oferta da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Hoje de manhã ele ministra palestra em Londrina sobre mercado nacional e internacional do trigo durante a 1 Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale e 7º Seminário Técnico de Trigo. O evento está sendo realizado no Recinto José Garcia Molina, da Sociedade Rural do Paraná. No caso dos triticultores, a questão da comercialização é mais complicada porque o trigo não é negociado no mercado futuro nacional devido à falta de padronização. Já no caso do mercado internacional os agricultores brasileiros não teriam volume suficiente para negociação.
Uma alternativa considerada interessante por Morceli seria a associação em cooperativas que processam o grão. ''Desta forma, seria agregado valor e os produtores venderiam por preços melhores'', afirma. Na sua avaliação, a desvalorização cambial - fato que vem ocorrendo desde 2003 - não seria necessariamente um complicador aos triticultores. ''O problema é que os produtores compram insumos caros e vendem seus produtos baratos. Este fato tira rentabilidade dos agricultores'', salienta.
Por isso, ele diz que os triticultores devem ter três preocupações: a eficiência na lavoura (com o uso de tecnologia), comprar bem os insumos para reduzir os custos de produção e vender bem. A atual cotação internacional, variável entre US$ 220 e US$ 230 a tonelada deve se manter até o final desta safra, enquanto o cenário nacional prevê pequena queda no mesmo período. Hoje, os preços variam entre R$ 530 e R$ 560 a tonelada e, na colheita, deve ficar entre R$ 500 e R$ 510/t.
''Os produtores deveriam escalonar a comercialização da produção para ter mais ganhos. Geralmente, o produtor oferta tudo de uma vez só e as indústrias aproveitam. O ideal é que a oferta seja gerenciada'', afirma Morceli. Ele não acredita em um avanço muito forte do milho safrinha (puxado pela agroenergia) sobre o trigo em função dos baixos estoques mundiais e porque os Estados Unidos (principal consumidor do milho para energia) estariam trabalhando com limite de utilização de 100 milhões de toneladas até 2017. Atualmente, já são usadas 86 milhões de toneladas do grão no programa.
Além disso, o projeto americano de energia renovável ainda investe em plantações de cana-de-açúcar no Caribe e em outras formas de biocombustível, como a produção de etanol a partir da celulose (alternativa ainda não viável economicamente). ''Baixos estoques é um sinal do mercado e uma queda maior na produção desestabilizaria ainda mais os preços do trigo'', comenta.


