São Paulo - Os contratos futuros de soja fecharam ontem em forte alta na Chicago Board of Trade (CBOT), em Chicago. Os futuros atingiram suas maiores cotações desde 1988, com grande volume de compras de especuladores. Segundo traders, o mercado foi impulsionado pela boa demanda exportadora e pela greve dos fiscais agropecuários no Brasil, que complicam a já difícil logística das exportações brasileiras.
A posição maio disparou e atingiu a máxima de US$ 10,20 por bushel, seu maior valor desde 14 de julho de 1988. ''Estamos atingindo níveis estratosféricos que não víamos há anos'', observa Robert Adduci, broker para a R.J. O'Brien.
O analista Jack Scoville, da consultoria Price Futures Group, de Chicago, disse à Agência Estado que a forte alta dos preços da soja na bolsa de Chicago é reflexo do clima na América do Sul. De acordo com Scoville, a bolsa de Chicago está percebendo nesta última semana a extensão das perdas provocadas pela seca no sul do Brasil e Argentina. ''Na semana passada, trabalhávamos com uma safra brasileira de 55 milhões a 56 milhões de toneladas. Já nesta semana, estamos falando de 53 milhões a 54 milhões de toneladas.''
Scoville observa que esta quebra é bastante significativa: ''É só lembrar que os números iniciais para a safra brasileira do Departamento de Agricultura dos EUA apontavam para uma produção superior a 60 milhões de toneladas.''
No caso da Argentina, o mercado está trabalhando em linha com a estimativa de que a safra será próxima dos 34,7 milhões de toneladas calculados pelo governo local, em estimativa divulgada ontem. ''Tudo somado, em poucos dias estamos cortando dos cálculos uma oferta de 5 milhões de toneladas'', diz Scoville.
Além de uma queda na oferta mundial de soja, os preços da bolsa também sobem porque há sinais de volta da demanda no mercado físico, segundo o analista Jack Scoville. Ele diz que há notícias de que os países asiáticos afetados pela influenza aviária estão começando a recompor seu plantel de frangos. ''Já houve consulta do Vietnã para comprar 500 mil toneladas de soja, e sabemos que a China comprou um grande volume de soja da América do Sul na semana passada'', diz o analista. ''Como a demanda estava silenciosa depois da alta recente dos preços, o mercado temia que as cotações não fossem sustentáveis, mas essa percepção acabou.'' Por fim, o analista acredita que os fundamentos macroeconômicos também influem nos ganhos. ''Isso se aplica tanto à soja quanto a outras commodities, que também estão subindo esta semana'', diz. ''A questão é que o dólar está com preços historicamente baixos e isso estimula a demanda no exterior'', afirma.
Além disso, Scoville nota que todos os cortes de impostos promovidos pela administração Bush liberaram mais recursos, que estão sendo investidos em aplicações nas commodities. ''Isso sem falar que está havendo inflação em dólar, o que afeta naturalmente os preços'', afirma.

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