Apenas 1% dos 300 mil contratos futuros negociados diariamente na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) de São Paulo é referente a produtos do agronegócio. ''Falta cultura de investimento no mercado futuro de produtos agropecuários'', opinou Wilson Motta Miceli, chefe do Departamento de Mercados Agrícolas da BM&F. Ele participou, ontem, do 1º Seminário de Formação de Corretores Investidores em Agronegócios.
Apesar do número pouco significativo, a negociação de contratos cresce 5% ao ano. O especialista afirmou que o objetivo do mercado futuro é proteger o preço da mercadoria contra eventuais baixas. ''Quando o produtor ou a indústria percebem que o mecanismo funciona como um seguro do preço, voltam a operar'', contou, explicando que o produtor continua a fazer a entrega do produto no mercado físico. ''Após a colheita, ele apenas liquida os contratos na bolsa, zerando sua posição.''
Atualmente, a BM&F opera negócios com nove produtos agropecuários: café arábica, café conillon, milho, soja, boi gordo, bezerro, acúcar, álcool e algodão. O mais negociado é o café, cuja estrutura de mercado favorece a comercialização em bolsa. ''É um mercado pulverizado tanto no lado da oferta quanto da demanda'', disse. O mesmo não acontece com a soja, cuja comercialização se concentra nas mãos de poucas grandes empresas. ''Nesse caso, os próprios compradores fixam preço para o produtor.''

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