Os dados de março sobre o mercado formal de trabalho divulgados nesta quarta-feira (24) pelo governo refletem a desaceleração da economia, que está sem fôlego para geração de vagas. A retração registrada em março, segundo especialistas é sintoma da economia estagnada. O Brasil fechou 43.196 vagas de emprego formal

Londrina e o Paraná foram pelo mesmo caminho com saldo negativo de 184 vagas e 1.211 postos de trabalho, respectivamente, de acordo com os dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego)da Secretaria Especial da Previdência e Trabalho, do Ministério da Economia.

A indústria de transformação puxou o resultado negativo. Em Londrina, o setor encerrou o mês com 174 vagas a menos. A indústria eletrometalmecânica foi a responsável pela maioria das vagas fechadas. “A metalmecânica já vinha sinalizando a redução de emprego, mas veio muito mais impactante”, comentou o economista Marcos Rambalducci, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e colunista da FOLHA.

O setor industrial aumentou o nível de ociosidade e de acordo com o economista, os empresários sinalizavam que iam cortar empregos. As empresas reduziram a produção, mas não conseguem diminuir os estoques, o que significa que não estão vendendo. “Esse é um comportamento que deve se estender em abril e maio. A sinalização é para níveis de desemprego mais elevados nos próximos meses”, afirmou Rambalducci.

A construção civil (-46) e o serviço (-34) também tiveram desempenho negativo. O comércio manteve a retomada iniciada em fevereiro e fechou março com 55 novos postos de trabalho. Mas na avaliação do economista, o comércio e a prestação de serviços devem mostrar desaceleração nos próximos meses.

Para o economista e consultor Cid Cordeiro o desempenho negativo do mercado formal de trabalho em março é reflexo da desaceleração econômica. “Havia uma expectativa do aumento do consumo das famílias que não ocorreu. O desemprego continua, a renda está estagnada e os juros continuam altos. Não se está criando políticas para gerar demanda”, afirmou Cordeiro.

O economista avalia que as medidas que o governo sinaliza são de retração. “O aumento base do salário-mínimo foi baixo e o governo sinaliza uma mudança na política do salário-mínimo. A alimentação teve aumento, o que impacta no consumo das famílias de baixa renda”, disse.

Ele acredita que para criar demanda teria que haver políticas de aumento da renda, oferta de crédito mais baixos e liberação de crédito para setores que gerem empregos como construção civil e indústria.

REGIÃO METROPOLITANA

Os principais municípios da RML (Região Metropolitana de Londrina) apresentaram desempenho positivo. Cambé criou 94 novas vagas, em Arapongas foram 98 e Ibiporã teve saldo de 36 postos com carteira assinada. Rolândia teve queda (-15) puxada pelo comércio (-24) e construção civil (-15).

De acordo com Marcos Rambalducci, as cidades vizinhas estão sustentando saldo positivo porque estão atraindo novas empresas. No caso de Arapongas é reflexo dos negócios realizados durante a Movelpar, que ocorreu em março.

mockup