São Paulo - A tensão do mercado com a crise política do governo Lula atingiu ontem o ápice. O risco Brasil disparou 7%, atingindo 596 pontos, o maior patamar desde abril de 2003. A Bovespa desabou 4,77%, segunda maior queda do ano. E o dólar cravou a maior cotação desde setembro passado, subindo pelo quinto dia consecutivo. A moeda americana fechou em alta de 0,61%, vendida a R$ 2,96. No ano, já acumula valorização de 2%.
Desde a sexta passada, o risco brasileiro já subiu 75 pontos com a preocupação dos investidores com a crise política após a demissão de um ex-assessor do ministro José Dirceu (Casa Civil), Waldomiro Diniz, envolvido em denúncia de corrupção. A crise política gera incerteza no investidor e alimenta a escalada do dólar, segundo analistas.
A proximidade do feriado do Carnaval também motiva a alta das cotações. Os bancos preferem redobrar a cautela, evitando assumir posições de risco em suas aplicações. Eles avaliam que os rumos do caso Waldomiro Diniz estão imprevisíveis. Circularam ontem boatos de que revistas semanais podem trazer novas denúncias. ''O PT não está conseguindo controlar a crise. Por precaução, o melhor a fazer é se antecipar a uma possível piora do cenário. Ninguém vai querer dormir no feriado com seu patrimônio vulnerável caso alguma nova denúncia apareça nesse período. É o Carnaval do medo'', diz o analista da corretora Socopa Paulo Fujisaki.
Com o risco Brasil se aproximando dos 600 pontos, o custo da tomada de empréstimos pelas empresas no exterior aumentou. Isso causa uma piora nas expectativas de entrada de dólares no País. ''Neste mês, as captações externas estão cada vez mais raras. A alta do risco-país desestimula essas operações'', afirma Fujisaki.
O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking da desconfiança dos investidores estrangeiros. O ranking, calculado pelo banco americano JP Morgan, é liderado pela Argentina (5.550 pontos), seguida pelo Equador (745 pontos), Venezuela (700 pontos) e Nigéria (660 pontos).
Neste ano, o risco brasileiro acumula alta de quase 26%. Desde a sexta passada, o risco brasileiro já subiu quase 70 pontos. ''O nervosismo é temporário. No Brasil, historicamente, CPI acaba em pizza'', afirma Sérgio Paiva, analista da corretora Vision.

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