Mercado financeiro reage bem à crise turca
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A decisão da Turquia de deixar a lira flutuar livremente foi recebida com alívio pelos investidores, uma vez que elimina um dos elos da corrente especulativa que vem dominando os pregões em fevereiro. Aproveitando a trégua, o Ibovespa fechou em alta de 2,03%, com volume financeiro de R$ 809 milhões. A valorização da bolsa paulista aconteceu a despeito de Nova York, onde a Nasdaq caiu 1,06% e o índice Dow Jones terminou o dia estável.
Também em Istambul houve reação positiva. A desvalorização de 28% da lira em relação a ontem foi um movimento de ajuste, bastante similar ao que ocorreu com o real, em 1999, com o fim do regime de bandas cambiais. Já a Bolsa local fechou em alta de 9,8%, recuperando uma pequena parte das perdas de 18,1% anteontem e de 14,6% na segunda-feira. No mercado europeu, as ações dos bancos foram afetadas na proporção de sua presença na Turquia. A Bolsa de Frankfurt foi a que mais sofreu, com queda de 1,10%. Segundo relatório do Banco Internacional para Compensações (BIS), as instituições alemãs são as que carregam o maior número de empréstimos concedidos à Turquia entre os 17 países com exposição no país.
Também a ata do Copom trouxe algum alívio ao mercado acionário, apesar de ratificar as previsões de que a Selic não deverá cair na próxima reunião do comitê, dias 13 e 14. Mas o mercado entendeu que o Banco Central agiu com cautela frente às incertezas sobre o atual nível de atividade no Brasil e a evolução da economia nos Estados Unidos.
O mercado cambial manteve-se nervoso e com forte volatilidade ontem. O dólar comercial oscilou 0,89%, e fechou em alta de 0,15%, cotado na venda a R$ 2,044. Novas compras de dólar para hedge foram motivadas ontem pelas denúncia publicada pela revista IstoÉ, sobre suposta gravação de fitas de conversas entre o senador ACM e procuradores da República envolvendo o ex-secretário geral da Presidência Eduardo Jorge.
O temor de que as denúncias acabem envolvendo o presidente FHC fez o dólar disparar no meio da tarde para a máxima de R$ 2,048, alta de +0,34%. Não foi eliminada pelo mercado a preocupação com eventual contágio pela Argentina. Os analistas não descartam a possibilidade de o país vizinho também vir a ter de mudar sua política cambial no curto prazo para enfrentar a estagnação econômica. Eventual mudança na política cambial argentina poderia afugentar o investidor estrangeiro, inclusive do Brasil, ainda que momentaneamente, afirmaram os analistas.
(Marcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)


