Agência Estado
De São Paulo
‘‘Não há o que esperar. O governo não tem mais nenhum motivo para justificar a Selic em 19%.’’ A avaliação de um operador demonstra o sentimento no mercado futuro de juros ontem. Entre os profissionais, já há quem trabalhe com uma redução de 0,50 ponto percentual da Selic, amanhã, na reunião do Conselho de Política Monetária (Copom). ‘‘É muito forte no mercado a sensação de que haverá corte e, em sua maioria, as apostas são de que ele será de 0,25 ponto percentual’’, diz um operador. A certeza, mesmo, é a de que a Selic deixará a casa dos 19%; se não for dessa vez, já na próxima reunião do Copom.
A avaliação no mercado financeiro é que o cenário atual é muito diferente do de agosto passado, quando a taxa atingiu os 19%. Além disso, os problemas apontados pelo Copom em sua última ata persistem, mas sem a mesma força. No cenário externo, o mercado acredita que o Fed – Federal Reserv, o banco central americano –, hoje, promoverá um acréscimo de 0,25 ponto percentual na taxa americana e o petróleo não deve subir, pois haverá uma ação muito forte do governo americano neste sentido.
Internamente, a sensação é de que o momento é bem mais tranquilo. Os índices de inflação continuam vindo abaixo do esperado – a segunda prévia de março do IPC da Fipe apontou deflação de 0,04%; e o IGP-M, da FGV, registrou deflação de 0,05%. O salário mínimo, que motivou a precupação do Copom, em sua última reunião, é apontado como um dos fatores para o otimismo neste mercado hoje.
Investidores interpretaram declarações do ministro da Fazenda, Pedro Malan, na manhã de ontem, durante café da manhã com empresários na Associação Comercial da Bahia, em Salvador, como uma sinalização de que o mínimo deve ficar em torno dos R$ 150. ‘‘O mercado considera este um bom valor, que não teria grandes efeitos no IPC e no Orçamento’’, diz um analista.
Câmbio – Sem notícias que imprimam novidades ao cenário econômico brasileiro, o mercado de câmbio iniciou a semana com baixo volume de negócios e pouca oscilação nas cotações. O valor do dólar continua girando em torno de R$ 1,7400 e esse já é considerado o novo ponto de equilíbrio da moeda norte-americana. No fechamento, o dólar era cotado a R$ 1,7380 na ponta de venda, com queda de 0,11% em relação a sexta-feira. Na máxima do dia o dólar atingiu R$ 1,7430 e na mínima, R$ 1,7370.

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