Mercado financeiro eleva previsão para IPCA em 2004
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segunda-feira, 26 de abril de 2004
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - O mercado financeiro voltou a ajustar para cima suas projeções de inflação deste ano. As instituições ouvidas em pesquisa semanal do Banco Central (BC) elevaram de 6,14% para 6,17% a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2004. O aumento deixou a previsão ainda mais distante do centro da meta de 5,5% estabelecida pelo governo e mais próxima dos 6,2% calculados pelo BC no último Relatório de Inflação, com base num cenário de mercado.
Por este cenário, a taxa básica de juros (Selic) estaria em 14% no último trimestre deste ano e a taxa de câmbio encostaria em R$ 3,07 por dólar. Na pesquisa divulgada ontem, o cenário usado pelo mercado previa juros a 14% no fim do ano e câmbio a R$ 3,05.
As previsões de inflação para 2005 continuaram em 5% pela quadragésima segunda semana consecutiva. Apesar de estável, o porcentual previsto também supera a meta de 4,5% fixada para o próximo ano. A projeção, entretanto, seria condizente com a proposta do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) de adoção de uma meta de 5,5% para o 2005.
No último Relatório de Inflação, o BC estimou que o IPCA de 2005 fecharia em 5,4%, com juros de 12,6% e câmbio a R$ 3,24 no último trimestre do próximo ano. A pesquisa divulgada ontem leva em conta uma projeção de mercado de juros de 12,75% e uma taxa de câmbio de R$ 3,20 no final de 2005.
O mercado também puxou para cima a estimativa do IPCA dos próximos 12 meses, que passou 5,58% para 5,67%. O novo porcentual projetado pelos bancos está 0,42 ponto porcentual acima do ponto da trajetória calculada para o cumprimento das metas do governo, de 5,25% nos 12 meses à frente. Na semana passada, essa diferença era de apenas 0,33 ponto porcentual.
A estimativa de IPCA para maio seguiu a mesma tendência de alta e avançou de 0,38% para 0,40%. Apesar disso, a previsão ainda é inferior ao 0,48% previsto para este mês. A projeção de reajuste dos preços administrados como energia e telefone, por sua vez, permaneceu em 7,20% para este ano e em 6% para 2005.
Apesar do maior pessimismo em relação ao comportamento da inflação, as instituições ouvidas pelo BC mantiveram a expectativa de queda de 0,25 ponto porcentual da Selic na reunião de maio do Comitê de Política Monetária (Copom). Com isso, a taxa recuaria dos atuais 16% para 15,75%, o nível mais baixo desde março de 2001. Naquela ocasião, os juros foram elevados de 15,25% para 15,75% ao ano. A previsão do mercado para a Selic no final do ano foi mantida em 14% pela quinta semana consecutiva, embutindo, portanto, expectativa de queda de 2 pontos porcentuais até o fim do ano.


