Câmbio encosta no patamar de R$ 3,15
O clima tenso no exterior nesta quinta-feira (2) determinou um movimento de forte alta do dólar ante o real, fazendo o câmbio encostar no patamar de R$ 3,15, que não era visto há um mês. Com a aproximação da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que termina no dia 15, investidores estão cada vez mais atentos à possibilidade de um aumento de juros. O cenário interno também colaborou, com o depoimento de Marcelo Odebrecht elevando o clima de cautela. O dólar à vista no balcão fechou em alta de 1,74%, a R$ 3,1475, após oscilar entre a mínima de R$ 3,0979 (+0,14%) e a máxima de R$ 3,1540 (+1,95%). Trata-se do maior fechamento desde 31 de janeiro (R$ 3,1501).

Onda de perdas atingiu papéis ligados a commodities
O cenário externo pesou negativamente também sobre o mercado brasileiro de ações e a Bovespa terminou a quinta, em queda de 1,69%, aos 65.854,93 pontos. A onda de perdas atingiu mais fortemente os papéis ligados a commodities, que acompanharam as oscilações de matérias-primas e de índices setoriais internacionais. Segundo operadores, as ordens de venda vieram principalmente de investidores estrangeiros, que recolheram parte dos ganhos recentes. Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a 65.593,85 pontos, em queda de 2,08%. Analistas admitem haver maior cautela do investidor de renda variável diante da possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos.

Sensíveis ao humor do mercado externo, juros futuros fecham em alta
Os juros futuros fecharam a sessão em alta e nas máximas, com destaque para os contratos de longo prazo que são mais sensíveis ao humor do mercado externo. Ao final da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2018 estava em 10,320%, de 10,295% no ajuste de quarta-feira (1); a taxa do DI para janeiro de 2019 subia de 9,80% para 9,84%; e a do DI janeiro de 2021, de 10,04% para 10,15%. Todos fecharam nas máximas. O movimento de alta foi consolidado a tarde, quando o dólar ganhou força aqui e no exterior. O rendimento dos Treasuries acelerou o avanço, batendo máximas, diante do das apostas de que o FED elevará os juros dos Estados Unidos.

Porta aberta para aceleração do ritmo dos cortes de juros
Com relação à ata do Copom, divulgada nesta quinta-feira, analistas consideraram que o Banco Central manteve a porta aberta para uma eventual aceleração do ritmo de cortes de juros, a depender de alguns fatores. "O BC está se dando a liberdade de olhar o que está acontecendo. A chance de um corte de 100 pontos bases é grande, mas depende da atividade", disse o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, que manteve a previsão de um corte de 0,75 ponto na Selic na próxima reunião. "O senso de urgência para acelerar o ritmo de corte da Selic não está presente em abril porque a atividade está melhor", explicou.

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