Fatores domésticos influenciam na baixa
São Paulo
- O dólar fechou em queda nesta segunda-feira, 30, pelo segundo dia consecutivo, no nível de R$ 3,12. Ainda que o ambiente externo tenha contribuído para o movimento, foram fatores domésticos que definiram a intensidade da baixa. O resultado das contas do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), por exemplo, veio melhor que as projeções oficiais e alimentou a confiança no ajuste das contas públicas. Para o mercado, o impacto foi de queda mais intensa do dólar, que já vinha sendo conduzida por expectativas de entrada de recursos no Brasil. Nesta segunda-feira, o dólar à vista desvalorizou-se até R$ 3,1127 (-1,17%), no menor nível intraday desde os R$ 3,1023 registrados na sessão de 25 de outubro de 2016. Até o fechamento, entretanto, as baixas cotações da moeda norte-americana atraíram demanda de oportunidade e realização de lucros. Com isso, houve alguma desaceleração da queda e a divisa encerrou aos R$ 3,1261 (-0,74%), valor que não era visto desde 26 de outubro (R$ 3,1086).

Vale ON e PNA têm quedas de 4,30% e 5,17%, respectivamente
Entre as ações que mais contribuíram para a queda da bolsa estiveram aquelas ligadas a commodities e também os bancos. Com o feriado do ano-novo na China, não houve atualização nos preços do minério de ferro. Essa ausência também favoreceu uma correção nos preços das ações de empresas da cadeia do aço, grandes destaques de alta nas últimas semanas. Vale ON e PNA tiveram quedas de 4,30% e 5,17%, respectivamente. No setor financeiro, Itaú Unibanco PN caiu 2,13% e Banco do Brasil ON, 2,77%.

Incerteza no mercado interno eleva taxas de juros
Os juros futuros encerraram a sessão regular desta segunda-feira, 30, em alta, especialmente em vencimentos mais longos, como o contrato para janeiro de 2021. Segundo profissionais do mercado de renda fixa, a soma de notícias internas com incerteza no exterior elevou as taxas. No cenário doméstico, analistas citaram a prisão de Eike Batista como um fator de risco político. O empresário, denunciado por pagar propina ao peemedebista Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, afirmou que "está na hora de ajudar a passar as coisas a limpo".

Fator Trump derruba Ibovespa para 2,62%
Depois de acumular ganhos de 9,64% em janeiro, a Bovespa cedeu a uma correção nesta segunda-feira, 30, tendo como principal referência a queda das bolsas norte-americanas, em meio aos ruídos envolvendo o presidente Donald Trump. O Índice Bovespa fechou em queda de 2,62%, aos 64.301,73 pontos. Ainda assim, contabiliza alta de 6,77% no mês. O noticiário foi intenso no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, a homologação de 77 delações de executivos da Odebrecht e a prisão do empresário Eike Batista foram acompanhadas de perto. No front externo, a principal variável do dia foi o imbróglio envolvendo Donald Trump e a Justiça dos Estados Unidos em torno da restrição ao ingresso de determinados estrangeiros aos Estados Unidos.

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