Mercado financeiro
Incertezas sobre Trump interferem no câmbio
O dólar avançou no ritmo mais acentuado em oito anos em meio a incertezas com o futuro da política econômica e monetária dos Estados Unidos. No mercado à vista, a divisa norte-americana encerrou em alta de 4,29% nesta quinta-feira, o que não ocorria desde a elevação de 6,44% em 22 de outubro de 2008. Como consequência, a moeda somou o segundo ganho consecutivo frente ao real e terminou aos R$ 3,3615, no nível mais elevado desde 7 de julho de 2016, quando atingiu R$ 3,3617. O volume de negócios somou US$ 971,415 milhões. No fechamento, o dólar dezembro encerrou em alta de 5,18%, aos R$ 3,4010, com giro de US$ 31,216 bilhões.
Bovespa acumula duas quedas consecutivas
A repercussão da eleição de Trump provocou a segunda sessão consecutiva de perdas na Bovespa. O Índice Bovespa fechou em queda de 3,25%, aos 61.200,95 pontos. O índice oscilou em um intervalo de nada menos que 3.350 pontos, entre a máxima de 63.903 pontos (+1,02%) e a mínima de 60.553 pontos (-4,28%). Boa parte da pressão veio dos mercados de juros e de câmbio, com algumas das quedas mais agressivas em ações de empresas com alto endividamento em dólar, como as da Gol (fora do Ibovespa), que despencaram 17,63%, levando os papéis de sua controlada Smiles ON, quarta maior queda do Ibovespa, com retração de 8,76%.
Vale e siderúrgicas salvam dia e disparam novamente
As ordens de venda se concentraram principalmente nas ações do setor financeiro e nos papéis da Petrobras, blue chips com potencial para influenciar o mercado como um todo.
No caso dos bancos, pesou ainda o resultado trimestral do Bradesco, cujo lucro caiu 21,5% na comparação anual e foi considerado fraco. Bradesco ON e PN terminaram o dia com quedas de 6,25% e 8,92%, respectivamente. Banco do Brasil ON não ficou muito atrás e teve perda de 6,41%. O grande contraponto foram as ações da Vale e das siderúrgicas, que surfam no bom desempenho das commodities metálicas. Vale ON subiu 7,48% e Vale PNA, 8,21%. CSN ON avançou 3,78%.
Taxas de juros têm forte avanço por aversão a risco
Mesmo com forte avanço na sessão de quarta-feira, os juros futuros continuaram a subir de forma significativa nesta quinta-feira, influenciados pelo aumento da aversão ao risco de ativos de economias emergentes, tudo relacionado a Trump. Ao final da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2018 tinha taxa de 12,26%, ante 12,15% no ajuste de quarta. A taxa do DI janeiro de 2019 subiu de 11,54% para 11,82%. O DI janeiro de 2021 terminou com taxa de 11,88%, ante 11,45%. O Itaú Unibanco revisou sua projeção de Selic para o final do ano, de 13,50% para 13,75%, prevendo redução de 0,25 ponto porcentual na atual taxa de 14,00%. (Agência Estado)





