Dólar em queda
O dólar fechou em baixa de 1,57% ontem, cotado a R$ 3,4374 no mercado à vista, menor valor desde 31 de julho de 2015. A moeda norte-americana recuou mesmo com a realização de quatro leilões de swap cambial reverso feitos pelo Banco Central, na tentativa de conter as cotações. O dólar foi pressionado pela atuação de investidores vendidos no mercado futuro (que apostam na baixa), de olho na formação da ptax de fim de mês, e pelo recuo do dólar também no exterior. Só que o movimento no Brasil foi mais intenso que o visto lá fora, em função da perspectiva positiva em torno de um futuro governo Michel Temer.

Bovespa
O cenário internacional desfavorável e alguns balanços corporativos aquém do esperado fizeram a Bovespa fechar em baixa ontem de 0,74%, aos 53.910,50 pontos. A queda foi atribuída a uma realização de lucros, uma vez que diversas ações acumulavam ganhos recentes. O volume de negócios totalizou R$ 9,04 bilhões. Entre a máxima e a mínima do dia, o Ibovespa foi de 54.705 pontos (+0,72) a 53.592 pontos (-1,33). Apesar da volatilidade, profissionais afirmam que não houve sobressaltos no pregão de hoje, principalmente porque dólar e juros operaram em baixa significativa, refletindo perspectivas positivas nesses mercados

Abril positivo
A baixa de ontem não impediu a Bovespa de terminar abril com ganhos, principalmente na contabilidade em dólar. No mês, o índice teve alta de 7,70% em reais. Dolarizado, o Ibovespa subiu 12,52%. Atraídos pelos preços menores, os investidores estrangeiros haviam trazido R$ 2,953 bilhões à bolsa no acumulado do mês até o dia 27.

Taxas de juros
Os juros futuros de longo prazo registraram forte queda na BM&FBovespa, enquanto as taxas curtas fecharam com viés de alta, perto dos ajustes anteriores. O movimento nos vencimentos a partir de 2019 refletiu a percepção otimista do investidor sobre um eventual governo de Michel Temer em meio à expectativa de manutenção dos juros norte-americanos em patamares baixos por mais tempo do que o esperado, que deve fortalecer o fluxo de recursos para mercados emergentes. Os juros curtos, por sua vez, oscilaram pouco, amarrados à percepção de que a Selic deve continuar no atual patamar de 14,25% ao ano neste primeiro semestre, alimentada pelo comunicado da decisão do Copom na última quarta-feira.

Fluxo de vendas
Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 tinha taxa de 13,600%, de 13,545% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2018 caiu de 12,79% para 12,71%. Nos mais longos, o DI janeiro de 2019 fechou em 12,48%, de 12,72% no ajuste de ontem; o DI janeiro de 2021 encerrou na mínima de 12,41%, ante 12,76%; e o DI janeiro de 2023 também fechou na mínima, de 12,53%, ante 12,90%. Segundo operadores, o fluxo de venda de taxas longas foi significativo, principalmente por parte de investidores estrangeiros, que aproveitam o diferencial entre juros externos (baixos) e internos (altos) para aplicar seus recursos.

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