Avanço
O forte avanço dos papéis da Vale e o cenário externo positivo durante boa parte da tarde abriram espaço para o avanço da Bovespa ontem. Embora o balanço da mineradora tenha indicado um prejuízo no quarto trimestre de 2012, as perspectivas para o futuro agradaram os investidores, que foram às compras. No fim do dia, o Ibovespa chegou a desacelerar a alta, em sintonia com o exterior, mas ainda assim se manteve no território positivo. O principal índice da Bolsa subiu 0,26%, aos 57.424 pontos, emplacando pela primeira vez este ano uma série de três altas consecutivas.
Giro
Na mínima, vista no início da sessão, o Ibovespa marcou 56.925 pontos (-0,61%) e, na máxima, 57.798 pontos (0,92%). Da mínima para a máxima, o índice oscilou +1,53%. O giro financeiro somou R$ 8,71 bilhões, em dados preliminares. Com o movimento de ontem, o Ibovespa acumula baixa de 3,91% em fevereiro e recuo de 5,79% em 2013.
Vale
Na quarta, com os mercados já fechados, a Vale anunciou um prejuízo no quarto trimestre do ano passado de R$ 5,628 bilhões, o primeiro resultado negativo trimestral desde 2002 e a maior perda da história da empresa. O último resultado no vermelho da mineradora havia sido registrado no terceiro trimestre de 2002. Com isso, o lucro líquido de 2012 foi de R$ 9,734 bilhões, uma queda de 74,3% em relação a 2011.
Gestão
Apesar disso, os investidores enxergaram no balanço indicações de que, nos próximos trimestres, o desempenho da mineradora será melhor. Em relatório, analistas destacaram a busca da Vale em melhorar a gestão sobre o capital de giro, o foco nos projetos com maior retorno e a resolução de questões tributárias. "A longo prazo, a atualização contábil e o reforço da companhia em fortalecer as atividades mais rentáveis é muito bem vista", avaliou a equipe da Lerosa Investimentos. Com isso, instituições como Citi, BTG Pactual, Deutsche Bank, Bank Of America Merrill Lynch, Itaú BBA e Banco do Brasil Banco de Investimento reiteraram indicações de compra para os papéis da Vale.
Destaque
"O destaque da Bovespa hoje (ontem) foi a Vale. Apesar do prejuízo, a empresa assumiu perdas e os resultados operacionais foram melhores", comentou Luiz Morato, operador da corretora TOV. "As próprias declarações do (presidente da Vale), Murilo Ferreira, deixando bem claro as estratégias da companhia para os próximos anos, ajudaram no avanço das ações", acrescentou João Pedro Brugger Martins, analista da Leme Investimentos. Após terem subido mais de 3% durante a sessão, as ações ON da Vale fecharam em alta de 2,16%. Já as PNA avançaram 3,10%.
Petrobras
Se a Vale puxou, a Petrobras contribuiu para segurar o avanço do Ibovespa. Os papéis ON da estatal recuaram 1,63%, enquanto os PN tiveram baixa de 1,19%. Profissionais seguiram demonstrando desconfiança com o desempenho da estatal e citando a necessidade de a empresa se capitalizar.
EUA
Em Nova York, os principais índices de ações operaram em alta durante a tarde, o que favoreceu o Ibovespa. O Dow Jones ficou muito perto de superar seu recorde histórico, de 14.164 pontos. Porém, no fim do dia, pesou o fato de os congressistas não terem chegado a um acordo para evitar os cortes automáticos de gastos, previstos para entrar em vigor hoje. Com isso, os índices de ações norte-americanos fecharam no território negativo.
Fôlego
O movimento dos índices em Nova York, de alta para baixa, também retirou o fôlego do Ibovespa, que chegou a tocar o território negativo no fim da tarde. Ainda assim, o índice conseguiu retomar os ganhos e encerrar aos 57.424,29 pontos.
Câmbio
O mercado de câmbio brasileiro encerrou a sessão ontem com o dólar à vista em leve alta de 0,15%, cotado a R$ 1,9760 no balcão. Apesar do resultado diário, a moeda norte-americana acumulou quedas de 0,55% em fevereiro e de -3,37% em 2013. No mercado futuro, às 16h35, o dólar com vencimento em 1º de abril subia 0,20%, a R$ 1,9860, e o dólar que vence hoje, dia 1º de março, estava em R$ 1,9755 (+0,10%).
Juros
Após o call para definição dos ajustes na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2013 tinha taxa de 7,27%, com 295.090 contratos, de 7,29% no ajuste de ontem e o DI com vencimento em janeiro de 2014 apontava 7,69%, com 430.660 contratos, de 7,75% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2015 tinha taxa de 8,36%, com 222.315 contratos, ante 8,40%. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 9,12% (100.140 contratos), de 9,13% no ajuste da véspera, e o contrato com vencimento em janeiro de 2021 apontava 9,63%, com 6.790 contratos, ante 9,64%.

(Agência Estado)

mockup