MERCADO FINANCEIRO
Campo negativo
Depois de três altas seguidas, ontem a Bovespa encerrou o dia no campo negativo, acompanhando a performance das bolsas em Nova York, em razão do aumento das preocupações com a questão fiscal nos Estados Unidos. Os temores cresceram após o cancelamento da votação do plano B dos republicanos, anteontem à noite. Essa derrota indicou que, mesmo dentro do próprio partido, ainda não há maioria na Câmara. Essa leitura acendeu a luz amarela e os investidores resolveram embolsar os ganhos recentes, já que esta é a última semana de cinco dias úteis do ano. As blue chips - Vale e Petrobras - foram alvo de vendas e terminaram em queda.
Ibovespa
O Ibovespa encerrou com declínio de 0,44%, aos 61.007,03 pontos. A queda, no entanto, não anulou os ganhos da semana, que ficaram em 2,35%. Esta aliás, é a terceira semana seguida de ganhos. No mês e no ano, a valorização acumulada é de 6,15% e 7,49%, respectivamente. Na mínima, o índice atingiu 60.221 pontos (-1,72%) e, na máxima, 61.271 pontos (-0,01%). O giro financeiro foi de R$ 6,506 bilhões.
Plano fiscal
Ontem, no meio da tarde, o líder da maioria no Senado norte-americano, o democrata Harry Reid, foi ao plenário da Casa para afirmar que o plano fiscal do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, nasceu morto e o criticou por desperdiçar uma semana de negociações com "acrobacias políticas". Reid avisou a Boehner que as negociações para evitar o abismo fiscal "não são um jogo" e que haverá consequências muito sérias para a economia norte-americana se os cortes de gastos e aumentos de impostos entrarem em vigor no começo do ano que vem. "Boehner está utilizando desculpas processuais, falsas", comentou.
Democratas
Para o operador de uma grande corretora, o fracasso de Boehner na véspera deu vantagem aos Democratas, que ontem atacaram o republicano dizendo que ele é o responsável pelo acordo ainda não ter sido concluído. O profissional, no entanto, ainda acredita que alguma decisão será anunciada antes do fim do ano.
Abismo fiscal
Menos otimista, o operador institucional da Renascença Corretora, Luiz Roberto Monteiro, não descarta a possibilidade de que um solução para o abismo fiscal fique para o início de 2013. "Eles tiveram muito tempo para resolver essa questão e até agora não avançou absolutamente nada. Não acho que em duas semanas eles resolvem", avalia o profissional.
Petrobras
Por aqui, Petrobras encerrou com declínio de 1,83% o papel ON e 1,71% o PN. Além do ambiente externo, também pesou sobre as ações a aprovação de um projeto de lei pela Assembleia Legislativa do Rio que cria a Taxa de Fiscalização de Petróleo e Gás. A nova taxa deve trazer em torno de R$ 7 bilhões aos cofres do Estado em um ano, o mesmo montante estimado em perdas por conta da renegociação da distribuição dos royalties sobre o setor. Um operador afirma que alguns analistas já estão calculando o potencial impacto para Petrobras, que pode chegar a US$ 2,7 bilhões ao ano.
Vale
No caso da Vale, as ações ON caíram 0,85% e as PNA registraram recuo de 0,76%.
Dow Jones
Em Nova York, às 17h47, o índice Dow Jones perdia 1,08%, o S&P 500 recuava 1,10% e o Nasdaq, -1,30%. Veja detalhes sobre a Bovespa logo mais no Cenário-2. (Alessandra Taraborelli - [email protected])
Câmbio
Na máxima do dia, o dólar tocou R$ 2,0810. Na mínima, a moeda chegou a R$ 2,0690. Em dezembro, o recuo do dólar é de 2,54% e, em 2012, há alta de 10,91%. O Banco Central atuou no mercado de câmbio com dois leilões no período da manhã, mas não evitou que a moeda encerrasse o dia no terreno positivo. No primeiro leilão, a taxa de venda foi R$ 2,06250, a Ptax de anteontem, e a de compra, em 1º de março de 2013, ficou em R$ 2,08445, com elevação embutida de 1,06%. No segundo leilão do dia, a taxa de venda foi R$ 2,072400, a Ptax do boletim das 11 horas, e a taxa de recompra, com liquidação em 1º de fevereiro de 2013, ficou em R$ 2,085470, com alta de 0,63%. Vale notar que o segundo leilão do dia não abrandou a alta do dólar, que renovou máxima na sequência da operação.
Juros
Ao término da negociação normal na BM&F, o juro do contrato para janeiro de 2014 (291.475 contratos) estava em 7,17%, de 7,14% no ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2015 (362.775 contratos) indicava 7,85%, de 7,82% ontem. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (143.945 contratos) apontava 8,59%, de 8,60% na véspera, e o contrato para janeiro de 2021 (3.570 contratos) tinha taxa de 9,28%, ante 9,30% no ajuste.
(Agência Estado)





