MERCADO FINANCEIRO
Queda
A Bovespa voltou a seguir o exterior e registrou o segundo dia consecutivo de queda. Mais uma vez, os temores sobre a questão do abismo fiscal dos EUA ditaram o tom negativo dos negócios. Nem mesmo os dados norte-americanos divulgados ontem e a decisão dos ministros de Finanças europeus em liberar a próxima parcela de ajuda para Grécia foram suficientes para animar os investidores, que preferiram embolsar parte dos ganhos acumulados no mês. A queda das ações da Petrobras contribuiu para a performance negativa do principal índice paulista.
Ibovespa
O Ibovespa encerrou ontem com recuo de 0,26%, aos 59.316,75 pontos. Com isso, o índice reduziu a valorização no mês para 3,21% e, no ano, para 4,52%. Na mínima, a Bolsa atingiu 59.154 pontos (-0,54%) e, na máxima, 59.969 pontos (+0,83%). O giro financeiro ficou em R$ 7,431 bilhões. Os dados são preliminares.
Abismo fiscal
A questão do abismo fiscal dos EUA voltou à tona ontem, porque na quarta-feira o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke, disse que se os EUA caírem no abismo fiscal, a economia do país será prejudicada de tal forma que o banco central não pode controlar. Essa foi a deixa para os investidores se desfazerem de ativos de risco.
Resolução
Para o sócio-diretor da corretora Elite, Otto dos Santos, a questão fiscal será resolvida e o mercado já precificou isso. No entanto, ele acredita que o Congresso só anunciará alguma coisa no fim do prazo. "Os republicamos e os democratas vão levar essa questão até o limite e só farão o anúncio no limite, não irão resolver antes. Mas deve ter alguma solução boa", projeta, ressaltando ainda que o movimento da Bolsa ontem foi mais técnico, onde o investidor procurou garantir parte dos ganhos recentes.
Blue chips
As blue chips fecharam em direções distintas. As ações da Petrobras terminaram o dia com queda de 1,45% a ON e 1,41% a PN. Já os papéis da Vale terminaram com ganho de 0,56% o ON e 0,39% o PNA.
Altas
As ações ON da Hypermarcas subiram 5,76% e lideraram as altas do Ibovespa. Ontem, o conselho de administração da empresa aprovou uma cisão parcial da companhia da parte localizada em Bragança Paulista (SP), incluindo os ativos e passivos relacionados à fabricação e comercialização de medicamentos da antiga e extinta Luper Indústria Farmacêutica.
Lado negativo
Já o lado negativo foi liderado por Klabin PN, com recuo de 4,67%.
EUA
Nos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego diminuiu para 343 mil na semana passada, melhor do que a queda para 367 mil prevista pelos economistas. O índice de preços ao produtor (PPI) caiu 0,8% em novembro ante outubro, uma queda maior do que a esperada, de 0,5%. Os estoques das empresas aumentaram 0,4% em outubro ante setembro, em linha com o esperado. No entanto, as vendas no varejo cresceram 0,3% em novembro ante outubro, abaixo da estimativa de 0,5%.
Europa
Na Europa, os ministros de Finanças da zona do euro concordaram em desembolsar 49,1 bilhões de euros para a Grécia, sendo cerca de 34,4 bilhões de euros ainda neste mês. Antes disso os ministros haviam chegado a um consenso para a criação do supervisor bancário europeu, cujo papel será desempenhado pelo Banco Central Europeu (BCE), que eventualmente terá poderes para forçar os bancos a aumentarem seus colchões de capital e até fechar instituições financeiras de muito risco.
Câmbio
No mercado doméstico, o dólar à vista fechou cotado a R$ 2,0820 no balcão, com alta de 0,39%. Na máxima, a moeda bateu em R$ 2,0840 e tocou R$ 2,0730, na mínima do dia. O giro financeiro esteve mais reduzido em grande parte do dia, mas ganhou fôlego também no meio da tarde e somava US$ 2,322 bilhões (US$ 2,252 bilhões em D+2) em torno das 16h30. Na BM&F, a moeda spot fechou cotada a R$ 2,0815, com ganho de 0,45% e cinco negócios (dados preliminares). No mesmo horário, o dólar para janeiro de 2013 era cotado a R$ 2,086 (+0,43%).
Juros
Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa do contrato para julho de 2013 (50.515 contratos) marcava 7,03%, nivelado ao ajuste de ontem. Já o juro para outubro de 2013 (2.690 contratos) marcava mínima de 7,03%, de 7,05% ontem. O contrato futuro de juros com vencimento em janeiro de 2014 (216.845 contratos) apontava 7,06%, ante 7,08% na véspera. O contrato para janeiro de 2015 (101.245 contratos) estava em 7,56%, de 7,60% no fechamento anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (115.775 contratos) indicava 8,41%, ante 8,48% ontem, enquanto o DI para janeiro de 2021 (6.935 contratos) recuava para 9,13%, ante 9,23% no ajuste.
(Agência Estado)





