MERCADO FINANCEIRO
Instabilidade
O bom humor externo não resistiu até o final dos negócios e a Bovespa, que chegou a superar os 58 mil pontos ao longo do dia, voltou para o negativo e terminou, novamente, no patamar de 57 mil pontos. O movimento acompanhou as bolsas em Nova York, que também mudaram de direção momentaneamente após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciar que convidou as lideranças partidárias para uma reunião na próxima semana, para discutir a questão do abismo fiscal. As ações da Petrobras e da Vale, que também registravam forte alta, desaceleraram os ganhos, o que contribuiu para a Bolsa se manter em terreno negativo.
Em queda
Assim, o Ibovespa encerrou com queda de 0,29%, aos 57.357,71 pontos. Na semana, a Bolsa acumulou baixa de 1,75%. No mês e ano, o índice ainda sustenta alta de 0,51% e 1,06%. Na mínima de ontem, o Ibovespa atingiu 56.862 pontos (-1,15%) e, na máxima, 58.109 pontos (+1,02%). O giro financeiro ficou em 6,496 bilhões.
Sem novidades
O sócio-diretor da Título Corretora, Marcio Cardoso, lembrou que o cenário nos EUA continua o mesmo de antes das eleições e que nada mudou para a Bolsa subir ou cair. ''Estamos vivendo o mesmo cenário de antes das eleições, quando a questão do abismo fiscal ficou para segundo plano. O problema fiscal é muito delicado'', disse, lembrando ainda que a Grécia, que voltou ao centro das atenções, é outra questão que está há meses no radar dos investidores.
Abismo fiscal
Durante a tarde de ontem, as bolsas estavam registrando forte alta, à espera de que Obama fosse falar e dar alguma sinalização para a resolução da questão fiscal. No entanto, o presidente norte-americano apenas convidou as lideranças partidárias para discutir a questão na próxima semana. Obama pediu ainda equilíbrio com impostos e cortes de gastos. ''Me recuso a aceitar qualquer abordagem que não seja equilibrada'', disse, ressaltando ainda que a elevação de impostos para os mais ricos deve integrar plano de redução do déficit.
Fragilidade
Para um experiente operador, a inversão da Bolsa, após Obama, confirma a fragilidade do mercado de renda variável. ''O investidor está muito inseguro e o cenário é muito incerto. Na dúvida, o investidor vende e embolsa o lucro, se for possível, ou, ao menos, diminui o prejuízo'', ressaltou, destacando ainda que os gringos operaram fortemente na venda em três dias desta semana.
Pressão
As bolsas europeias encerraram a semana com queda de 1,7%, com as ações bancárias pressionadas, uma vez que dados otimistas da economia chinesa fracassaram em impulsionar o otimismo dos investidores em meio à crise da dívida na zona do euro. O Stoxx Europe 600 caiu 0,11%, para 270,27 pontos, na terceira sessão consecutiva de baixa.
Petrobras
Por aqui, Petrobras terminou com alta de 0,85% na ação ON e 0,82% na PN, em linha com o petróleo no mercado internacional.
Vale
Já a Vale subiu 0,87% a ON e 0,75% a PNA. A maioria dos metais fechou o dia em queda.
Expectativa
Pela manhã, as incertezas com a Grécia seguiram altas, diante da expectativa da chegada de mais ajuda ao país. No entanto, dados positivos sobre a economia norte-americana fizeram o contraponto e ditaram o ritmo positivo durante a maior parte do dia.
Em alta
Em Nova York, às 17h18 de ontem, o índice Dow Jones subiu 0,16%, o S&P 500 ganhava 0,45% e o Nasdaq, +0,62%.
Dólar
Ao fim da sessão, o dólar à vista mostrou alta mais modesta, de 0,29% no balcão, cotado a R$ 2,0480. A moeda permaneceu em território positivo durante todo o dia. Pouco depois das 16h30, o giro financeiro somava US$ 1,528 bilhão (US$ 1,388 bilhão em D+2). Na BM&F, a moeda à vista fechou em alta de 0,26%, a R$ 2,0451, com seis negócios. Às 16h55, o dólar para dezembro de 2012 estava cotado a R$ 2,0535, em alta de 0,34%.
Juros
O juro com vencimento em janeiro de 2013 (65.790 contratos) projetava taxa de 7,12%, nivelado ao ajuste. O DI para janeiro de 2014 (138.985 contratos) marcava 7,35%, de 7,34% ontem. O DI para janeiro de 2015 estava em 7,89%, de 7,86% no ajuste. Na parte longa da curva, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 (142.890 contratos) indicava 8,66%, de 8,63% na véspera, e o DI para janeiro de 2021 (2.780 contratos) projetava 9,30%, de 9,28% no ajuste.
(Agência Estado)





