MERCADO FINANCEIRO
Pressão negativa
Mais uma vez, a Bovespa foi contaminada pelo mau humor externo e registrou a quarta queda seguida. As principais bolsas internacionais foram influenciadas por balanços corporativos decepcionantes. Além disso, volta a crescer a aversão ao risco com a Espanha. Ontem, o Banco Central espanhol afirmou que a economia do país se enfraqueceu no terceiro trimestre deste ano. Além disso, na véspera, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating de cinco regiões autônomas espanholas. Internamente, o balanço do Itaú Unibanco, abaixo do esperado, ajudou a piorar o índice, que teve apenas 10 empresas em alta das 69 que compõem o Ibovespa. As principais blue chips, Vale e Petrobras, também amargaram perdas.
Em baixa
O principal índice da Bolsa paulista encerrou com declínio de 1,72%, aos 57.690,24 pontos - menor pontuação desde 5 de setembro (56.863,91). Na mínima, atingiu 57.388 pontos (-2,24%) e, na máxima, 58.679 pontos (-0,04%). No mês, a queda foi ampliada para 2,51% e, no ano o ganho foi reduzido para 1,65%. O giro financeiro ficou em R$ 6,906 bilhões.
Destaques
As ações PN do Itaú e da holding Itaúsa figuraram entre os destaques de queda do Ibovespa, com recuo de 3,17% e 3,20%, respectivamente. O banco informou que registrou lucro líquido no critério recorrente de R$ 3,412 bilhões no terceiro trimestre, recuo de 13% ante igual trimestre de 2011. O Bradesco, que divulgou resultado na segunda-feira, caiu 1,07%. Banco do Brasil perdeu 3,08% e as units do Santander, -1,18%.
No vermelho
Petrobras e Vale acompanharam as commodities e terminaram o dia no vermelho. O papel PN da petroleira caiu 1,96% e o ON, -1,72%. Já a ação ON da mineradora perdeu 2,81% e a PNA, -2,37%.
Queda
No exterior, a DuPont e Xerox anunciaram queda no lucro no terceiro trimestre, enquanto 3M e United Technologies, apesar de terem aumento no lucro, reduziram suas projeções para ganhos no ano. A DuPont também informou que vai cortar 1,5 mil empregos em todo o mundo.
Pessimismo
Também contribuiu para o cenário pessimista o dado sobre o índice de sentimento das empresas da França, que caiu de 90 em setembro para 85 em outubro, o nível mais baixo em três anos. No começo da tarde a Eurostat informou que o índice de confiança do consumidor da zona do euro subiu para -25,6 em outubro, de -26,0 em setembro. Nos EUA, o Federal Reserve de Richmond afirmou que o índice de atividade no setor industrial na região caiu para -7 em outubro, de 4 em setembro.
EUA
Em Nova York, às 17h16, o índice Dow Jones caiu 1,57%, o S&P 500 perdia 1,17% e o Nasdaq, -0,57%.
Câmbio
O dólar começou o dia de ontem em meio à aversão ao risco no exterior e sob a influência de uma nova atuação do Banco Central (BC) no câmbio. Pela manhã, a autoridade monetária anunciou leilão de swap cambial reverso - que corresponde à compra de dólar no mercado futuro - e impulsionou a moeda americana ante o real no mercado de balcão. Porém, o dólar voltou a desacelerar os ganhos e retornou à faixa dos R$ 2,02, em meio à percepção de que a tendência para a moeda ainda é de baixa e ela só não cai mais em função das atuações do BC.
Em alta
No fim da sessão, o dólar à vista fechou em alta de 0,15% no balcão, cotado a R$ 2,0270. Na cotação mínima do dia, a moeda marcou R$ 2,0260 e, na máxima, sob a influência da operação com swap reverso, atingiu R$ 2,0310. O giro financeiro somava US$ 2,340 bilhões (US$ 2,248 bilhões em D+2) pouco depois das 16h30. Na BM&F, a moeda spot (à vista) fechou em R$ 2,0265, com alta de 0,05%, com cinco negócios. Às 16h37, o dólar para novembro de 2012 estava cotado a R$ 2,030, em alta de 0,10%.
Atuação
O BC vendeu 33 mil contratos de swap cambial reverso, com vencimentos em 3/12/2012 e 2/1/2013, totalizando US$ 1,648 bilhão. Com a atuação do BC, o dólar, que já subia em função do exterior, atingiu a máxima de R$ 2,0310. Depois, a moeda reduziu os ganhos ante o real novamente.
Juros
Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013, com 655.330 contratos, estava em 7,10%, de 7,09% no ajuste. A taxa do contrato de juro para janeiro de 2014 (268.350 contratos) marcava 7,39%, ante 7,40% de segunda-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (117.465 contratos) indicava 8,62%, de 8,64% na véspera. O DI janeiro de 2021, com giro de 7.715 contratos, apontava 9,30%, ante 9,33% no ajuste.
(Agência Estado)





