Bons ventos

Com um dia de defasagem em relação a seus pares internacionais por conta do feriado de 7 de setembro, na sexta-feira, a Bovespa pegou carona nos bons ventos do final da semana passada e operou em alta durante toda a sessão. A crescente possibilidade de o Federal Reserve adotar uma terceira rodada de relaxamento quantitativo (QE3, na sigla em inglês), o que impulsionou as bolsas norte-americanas na sexta-feira, e o pacote de estímulos de cerca de US$ 150 bilhões pelo governo chinês deram novo fôlego às commodities no mercado internacional, o que, por aqui, se traduziu na alta das blue chips Vale e Petrobras, além de ter beneficiado os setores de siderurgia e mineração.

Pacote de resgate

O Ibovespa só não foi mais longe porque, na última hora dos negócios, teve seus ganhos reduzidos em reflexo da piora em Wall Street, após dados que dão conta de uma piora no volume de crédito ao consumidor nos EUA e de o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, dar um passo para trás ao dizer que não aceitará um pacote de resgate que determine as políticas que seu governo deve seguir.


Bovespa

A Bovespa encerrou os negócios ontem com modesta alta de 0,14%, aos 58.404,10 pontos. O principal índice da Bolsa variou entre 58.325 pontos (+0,01%), na mínima do dia, e 59.421 pontos (+1,89%), na máxima. No mês de setembro, acumula ganho de 2,35%, e, no ano, sobe 2,91%. O volume negociado totalizou R$ 8,035 bilhões.

Correção

''Hoje foi dia de correr atrás do noticiário da semana passada, então o mercado deu uma paradinha para correção, foi uma oportunidade de recuperação de algumas ações que já vinham sofrendo bastante'', explicou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, citando em especial o caso da Vale, que puxou o Ibovespa durante todo o pregão.

Infraestrutura

Com os estímulos vindos da China, que aprovou um pacote de 60 projetos de infraestrutura, e a consequente recuperação do preço do minério de ferro, as ações ON da Vale saltaram 3,68%, e as PNA, 2,96%, entre as maiores altas do índice. Na esteira, CSN subiu 6,08%, liderando o ranking de altas do dia. Petrobras ON fechou em alta de 0,82% em PN, +1,10%.

Setor elétrico

Na outra ponta, as empresas ligadas ao setor elétrico penaram, em consequência do anúncio de redução das tarifas de energia elétrica. Conforme informou a presidente Dilma Rousseff, em pronunciamento na noite de quinta-feira, as tarifas cairão, em média, 16,2% para os consumidores residenciais e até 28% para as indústrias. A medida ainda será detalhada pelo governo hoje, mas as ações da companhia já refletiram a mudança. A Companhia de Transmissão Paulista (PN) liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 5,48%.

Dow Jones

Em Wall Street, o índice Dow Jones perdeu 0,39%, o S&P 500 recuou 0,61% e o Nasdaq caiu 1,03%.

Câmbio

No mercado doméstico, o dólar à vista fechou a R$ 2,0240 no balcão, com queda de 0,30%. Na máxima, o dólar foi a R$ 2,0260 e marcou R$ 2,0200 na mínima. Na BM&F, a moeda spot fechou em R$ 2,0235, com queda de 0,86% (dado preliminar). Ao fim da tarde, o giro financeiro total ganhava um pouco mais fôlego em relação à maior parte do dia, mas continuava abaixo da média e somava US$ 743 milhões (US$ 675 milhões em D+2) em torno das 16h30. No mesmo horário, o dólar para outubro de 2012 estava cotado R$ 2,032 (-0,22%).

Juros

Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (139.680 contratos) estava em 7,30%, de 7,28% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (200.870 contratos) marcava 7,81%, ante 7,82% na quinta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (32.435 contratos) indicava 9,13%, de 9,09%. O DI janeiro de 2021, com giro de 1.950 contratos, apontava 9,69%, de 9,65% no ajuste anterior.

(Agência Estado)

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