MERCADO FINANCEIRO
Bom humor
Mesmo sem medidas de estímulo concretas, o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed) Ben Bernanke agradou os mercados internacionais e o bom humor chegou à Bovespa. Porém, as ações do setor elétrico e de Petrobras caíram e imputaram perdas aos negócios locais, pelo terceiro dia seguido. Alguns ajustes na carteira do índice à vista, que muda na semana que vem, também trouxeram um pouco de volatilidade. Apesar disso, agosto terminou com valorização, pelo segundo mês seguido - o quarto em oito meses do ano.
Volatilidade
O Ibovespa encerrou o pregão de ontem com queda de 0,34%, aos 57.061 pontos. No mês, a alta acumulada foi de 1,72% e, no ano, de 0,54%. Mais cedo, o pregão foi marcado pela volatilidade, com os investidores digerindo as declarações do presidente do Fed, Ben Bernanke, no simpósio de Jackson Hole (EUA). Na máxima, o índice à vista alcançou 57.835 pontos (em alta de 1,01%) e na mínima caiu aos 56.719 pontos (em queda de 0,94%).
Volume financeiro
O volume financeiro negociado foi de R$ 10,156 bilhões (dados preliminares), inflado pelos ajustes na carteira do Ibovespa, que muda a partir de segunda-feira.
Expectativa frustrada
O gerente da mesa de renda variável da H.Commcor, Ariovaldo Santos, atribuiu a queda da Bolsa a não concretização das expectativas de estímulos para a economia norte-americana no aguardado discurso do presidente do Fed. ''Muitos investidores apostaram no anúncio ou sinalização de estímulos, o que não se concretizou, e realizaram lucros nesta sessão'', afirmou.
Liquidez
Embora não tenha trazido novidades concretas, Bernanke manteve a perspectiva de que o banco central norte-americano pode injetar liquidez no mercado em um futuro próximo. Foi o que animou as bolsas de Nova York, que fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,69%, o S&P 500, +0,51% e o Nasdaq, +0,60%.
Setor elétrico
Internamente, as ações do setor elétrico recuaram em função da Medida Provisória 577, editada anteontem, lançando dúvidas sobre as concessões do setor. Para analistas, cresceu a incerteza a respeito do futuro das concessões elétricas que estão por vencer entre 2015 e 2017. ''As empresas do setor são tratadas como boas pagadoras de dividendos e a possibilidade de o governo interferir é negativa'', afirma Santos, da H.Commcor.
Petrobras
Entre as blue chips, Petrobras renovou as mínimas no fim dos negócios e encerrou em queda de 1,89% nos papéis ON e de 1,38% nos PN. Vale, por outro lado, recuperou parte das perdas da semana, ao subir 2,99%, na máxima do dia, nas ações ON, e 2,66% nas PNA.
Câmbio
O dólar encerrou a sessão de ontem em queda. No mercado à vista de balcão, a cotação ficou em R$ 2,030 (-0,78%) e na BM&F, fechou a R$ 2,028 (-0,86%). A Ptax do mês ficou em R$ 2,0372 (-0,69%).
Juros
Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (522.810 contratos) estava em 7,27%, de 7,26% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (300.405 contratos) marcava 7,82%, ante 7,83% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (85.490 contratos) indicava 9,02%, de 9,08% ontem, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 5.340 contratos, apontava 9,59%, de 9,66% no ajuste.
Ásia
Os mercados asiáticos fecharam a semana e o mês sem tendência definida. Ontem, boa parte das bolsas da região reagiu a fatores internos e andou de lado, à espera do pronunciamento do presidente do Fed, Ben Bernanke.
Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em baixa acentuada ontem. Ações de exportadores industriais, como Nippon Steel, estiveram vendidas após a divulgação de fracos dados da produção industrial japonesa e à espera do aguardado pronunciamento do Federal Reserve.
(Agência Estado)





