Aversão ao risco
O fato de o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, ter reforçado os sinais de que a autoridade monetária está próxima de implementar novas medidas de estímulo para a economia norte-americana não foi suficiente para afastar o sentimento de aversão ao risco dos investidores na Bolsa doméstica no pregão de ontem. Após intercalar entre o positivo e o negativo ao longo do dia, o Ibovespa encerrou a sexta-feira no vermelho, com os agentes interessados em zerar suas posições e partirem para o fim de semana tranquilos, já que no atual cenário, a ideia é embolsar o que for possível e viver um dia de cada vez. A queda só não foi mais acentuada porque Petrobras e Vale reduziram as perdas na última hora do pregão.
Em queda
O principal índice da Bolsa paulista chegou ao fim do dia com perda de 0,15%, aos 58.425,76 pontos. Na semana, tem recuo de 1,11%, enquanto no mês de agosto e no ano a valorização acumula 4,15% e 2,95%, respectivamente. Durante a sessão de ontem, o Ibovespa oscilou entre 57.833 pontos (-1,16%), na mínima, e 58.750 pontos (+0,41%), na máxima. O giro financeiro totalizou R$ 5,893 bilhões.
Insegurança
''Os fantasmas ainda não foram embora, a casa continua assombrada'', diz o gerente de mesa de renda variável da H.Commcor, Ariovaldo Santos, que explica que o sentimento do mercado é que, como nenhuma medida concreta de estímulo foi estabelecida nos Estados Unidos durante a semana, ''na insegurança, é melhor vender''. A realização de lucros continua ditando os negócios, com um mercado mais focado em ganhos de giro, do que de tomadores finais.
Recuo
As ações ON e PN da Petrobras registraram queda de 0,72% e recuo de 0,23%, respectivamente, na mesma direção do preço do petróleo no mercado internacional. A volta dos rumores de que reservas estratégicas podem ser liberadas para tentar conter a alta nos preços da commodity resultaram no declínio de 1,66% dos contratos com entrega para outubro na plataforma ICE, negociados a US$ 113,10 o barril. Os papéis da Vale, por sua vez, recuaram 0,49% os ON, e -0,79% os PNA.
Em alta
Em Wall Street, os principais índices das bolsas norte-americanas encerraram em alta, com o Dow Jones subindo 0,77%, o S&P500 com ganho de 0,65% e o Nasdaq, valorização de 0,54%.
Divergências
As bolsas europeias fecharam em direções divergentes ontem. Por um lado, a reunião entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, terminou sem novidades; por outro, o presidente do Federal Reserve, o banco central americano, Ben Bernanke, disse ontem, por meio de carta, que ainda há espaço para mais medidas de estímulo. Além disso, pesou para o lado positivo um relato sobre o Banco Central Europeu (BCE), que estaria estudando criar uma meta para banda dos yields (taxa de retorno ao investidor). O índice Stoxx Europe 600 encerrou a sessão em leve alta de 0,12%, aos 268,00 pontos. Na semana, porém, o índice recuou 1,77%.
Em baixa
Os mercados asiáticos apresentarem queda ontem, a maioria deles no embalo negativo verificado em Wall Street na véspera. Este foi o caso na Bolsa de Hong Kong, que também sofreu com a realização de lucros. Os investidores continuaram focados nas blue chips que apresentaram balanços semestrais. O Hang Seng caiu 1,3% e terminou aos 19.880,03 pontos - na semana, o índice acumulou queda de 1,2%.
Câmbio
O dólar à vista fechou a R$ 2,024 no mercado de balcão (estável). Na máxima, o dólar foi a R$ 2,034 e bateu R$ 2,020 na mínima. Na BM&F, não houve negócios com o dólar spot ontem. Em torno das 16h30, o giro financeiro total era robusto e somava US$ 2,142 bilhões (US$ 2,072 bilhões em D+2). No mesmo horário, o dólar para setembro de 2012 era negociado a R$ 2,028, com leve declínio de 0,02%.
Juros
Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (803.765 contratos) estava em 7,33%, de 7,31% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (257.265 contratos) marcava 7,96%, idêntica a de quinta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (95.360 contratos) indicava mínima de 9,29%, ante 9,38% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 2.645 contratos, apontava 9,88%, de 9,97% no ajuste.
(Agência Estado)

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