MERCADO FINANCEIRO
Discurso frustrante
A Bovespa seguiu seus pares no exterior e sucumbiu à realização de lucros ontem, após o discurso frustrante do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Internamente, a queda das ações da Petrobras e da Vale também contribuíram para o desempenho negativo da Bolsa.
Ibovespa
Com isso, o Ibovespa encerrou com declínio de 1,37%, aos 55.520,40 pontos. Na mínima, o índice atingiu 55.239 pontos (-1,87%) e, na máxima, 56.289 pontos (-0,01%). No mês, a Bolsa passou a cair 1,03% e, no ano, 2,17%. O giro financeiro ficou em R$ 5,601 bilhões.
Compromisso
Após o BCE e o Banco da Inglaterra manterem suas taxas de juros, como esperado pelo mercado, Draghi reiterou seu compromisso com o euro e sugeriu que o BC europeu está pronto para retomar compras de bônus soberanos. Mas ele não deu indicações de quando isso pode acontecer.
Medidas concretas
''O mercado aguarda um discurso mais enérgico e medidas mais concretas. O BCE já está mais do que na hora de anunciar alguma coisa'', disse o operador de mesa da Diferencial Corretora Marco Aurélio Etchegoyen. O profissional acrescentou que a questão é o BCE demorar muito para tomar alguma decisão e as medidas não serem eficientes. ''O BCE fica demorando e pode não ter munição suficiente para agir. O que ele (BCE) está aguardando para tomar medidas mais fortes?'', ponderou.
Petrobras
Por aqui, os papéis da Petrobras seguiram a performance do petróleo no exterior e caíram. O papel ON recuou 1,18% e o PN, -1,11%. Hoje, após o fechamento dos mercados, a petroleira irá informar seu balanço referente ao segundo trimestre do ano. Segundo nove instituições financeiras consultadas pela Agência Estado (BES Securities, Bradesco, BTG Pactual, Credit Suisse, Deutsche Bank, Itaú Corretora, J.P. Morgan, UBS e Votorantim Corretora), a estimativa média é de que a estatal reporte um lucro líquido de R$ 3,24 bilhões. Se confirmado, será o pior número trimestral desde 2002.
Eike Batista
No mesmo segmento, as ações da OSX fecharam em alta 2,83%, reagindo a rumores de que o empresário Eike Batista pode anunciar também o fechamento do capital desta empresa. Há alguns dias, o empresário anunciou o cancelamento do registro de companhia aberta da LLX.
Vale
Já Vale PN fechou com declínio de 1,71% e a PNA, -1,29%. As ações são influenciadas por informações sobre a cobrança do Departamento Nacional de Produção Nacional (DNPM) feita à Vale, da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), conhecida como os royalties da mineração. Segundo fonte ouvida pela repórter Fernanda Guimarães, a conta foi reduzida para R$ 4 bilhões. O mercado esperava uma redução maior do que a anunciada.
Localiza
Do lado positivo, o destaque de alta do índice foram as ações da Localiza (+4,72%).
EUA
Em Nova York, o índice Dow Jones terminou com queda de 0,71%, o S&P500 cedeu 0,74% e o Nasdaq caiu 0,36%.
Câmbio
No mercado à vista de balcão, a divisa norte-americana encerrou a sessão de ontem cotada a R$ 2,05, com alta de 0,34%. Na BM&F, o pronto encerrou o pregão a R$ 2,0482, com valorização de 0,21%, e o contrato futuro de setembro mostrava aumento de 0,22%, a R$ 2,0615, às 16h43.
Dólar
Depois de ter sido negociada na casa de US$ 1,22 no início do dia, a moeda única subiu a US$ 1,24 com expectativas positivas em relação à fala do presidente do BCE, Mário Draghi, e caiu para níveis de US$ 1,21, depois que ele se limitou a traçar um cenário ruim para a Europa e a fazer promessas de retomar as compras de bônus de países em dificuldade.
Juros
Ao final da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 (64.235 contratos) marcava 7,34%, ante 7,36% do ajuste de anteontem. A taxa do DI para janeiro de 2014 (209.730 contratos) estava em 7,72%, ante 7,76% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (43.675 contratos) tinha taxa de 8,94%, ante ajuste de 8,96%, e o DI para janeiro de 2021 (1.410 contratos) marcava 9,52%, ante 9,53%.
(Agência Estado)





