MERCADO FINANCEIRO
Troca de papeis
Se a Petrobras tem ajudado a sustentar o Ibovespa nos últimos dias, ontem a companhia teve o papel oposto, ao cair quase 4% e levar o principal índice da Bolsa a aprofundar as perdas, com investidores se desfazendo de seus papéis.
No negativo
Após as altas vistas no início da semana, ontem o pregão foi de correção de preços. O Ibovespa permaneceu no negativo praticamente durante todo o dia, influenciado pelo aumento das preocupações com o cenário internacional. Indicadores preocupantes divulgados na China, na Europa e nos Estados Unidos fizeram os mercados lá fora fecharem no vermelho de maneira generalizada.
Resumo
A Bovespa encerrou o pregão de ontem na mínima, em queda de 2,91%, aos 55.505,17 pontos. Na máxima, o Ibovespa chegou a subir apenas 0,09%, aos 57.218 pontos. No mês, o índice acumula ganho de 1,86%, mas, no ano, voltou a registrar perda, de 2,20%. O giro financeiro totalizou R$ 7,132 bilhões.
Tudo em queda
Acompanhando os preços do petróleo nos mercados internacionais, as ações ON da Petrobras caíram 3,57%, e as PN, 3,17%. Na Nymex, os contratos futuros com entrega para agosto recuaram 3,99%, a US$ 78,20 o barril - o maior declínio em termos porcentuais desde dezembro do ano passado.
Sem sentido
As especulações de um reajuste de preços da Petrobras, que têm levado as ações da petroleira a se valorizarem nesta semana, perdem sentido com o preço do petróleo caindo tão fortemente, em reação à sinalização de enfraquecimento da demanda global. ''O mercado está se perguntando se a queda do preço do petróleo lá fora não neutralizaria o eventual reajuste de preços da gasolina'', explica o gerente da mesa de renda variável da H.Commcor, Ari Santos. Restou aos investidores se desfazerem dos papéis e embolsarem os lucros provenientes das altas registradas nos últimos dias.
Sinais
Números fracos da atividade manufatureira chinesa divulgados nesta ontem afetaram em cheio as ações das empresas brasileiras exportadoras de matérias-primas, como a Vale, que viu suas ações ON recuarem 2,76%, e as PNA, caírem 2,51%. As metalúrgicas também sofreram: Gerdau (-3,60%), Metalúrgica Gerdau (-4,45%), Usiminas (-5,26%) e CSN (-3,16%).
Lá fora
Nos Estados Unidos, o Dow Jones fechou em queda de 1,96%, o S&P registrou perda de 2,23% e o Nasdaq recuou 2,44%.
Movimentação
A série de indicadores positivos da economia doméstica divulgada ontem, que abrangeu inflação, emprego e renda, foi incapaz de se sobrepor a uma lista ainda maior de dados negativos surgidos da China, Europa e Estados Unidos. Isso fez o dólar ter alta generalizada, num claro movimento global de busca por segurança. No mercado de câmbio doméstico, a valorização foi de 0,88% na cotação à vista de balcão, que ficou em R$ 2,0530, e de 0,71% no pronto da BM&F, que encerrou o pregão a R$ 2,0505. Perto das 17h30, o dólar julho subia 1,53%, a R$ 2,061, na máxima.
Zona do euro
As bolsas europeias fecharam em queda ontem, com dados negativos na Europa, nos Estados Unidos e na China. O índice Stoxx Europe 600 fechou a sessão em baixa de 0,51%, aos 248,40 pontos. A atividade do setor privado da zona do euro teve contração pelo quinto mês seguido em junho, segundo dados preliminares da Markit. O índice dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) composto da região ficou inalterado em 46,0, o menor nível desde junho de 2009. O PMI do setor de manufatura recuou para 44,8 em junho, de 45,1 em maio, a mínima em 36 meses, e o PMI de serviços subiu para 46,8, de 46,7. Leituras abaixo de 50 indicam contração da atividade e acima disso apontam expansão. As duas maiores economias do bloco - Alemanha e França - também tiveram contração na atividade.
Recuos
Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (130.440 contratos) estava em 7,72%, de 7,73% no ajuste. A taxa do contrato para janeiro de 2014 (296.965 contratos) cedia para 8,05%, de 8,08% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (91.865 contratos) projetava 9,50%, de 9,61% anteontem, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2021 (8.080 contratos) recuava para 10,06%, de 10,15% no ajuste.
(Agência Estado)





