MERCADO FINANCEIRO
Contramão
Depois de duas altas seguidas, a Bovespa encerrou ontem em queda, na contramão do exterior. Durante todo o dia, a Bolsa operou descolada dos principais mercados acionários. As medidas anunciadas na segunda-feira pelo governo para estimular a economia deixaram os investidores na defensiva, uma vez que parte dos agentes esperava mais, enquanto outros argumentam que a insistência da equipe econômica em lançar medidas acaba sugerindo que o cenário externo pode ficar pior do que parece. Além disso, não há muita disposição em ficar comprando no mercado acionário brasileiro. ''Em tempos de crise, os investidores veem a Bolsa como ativo de risco e compram num dia para vender no outro'', disse um operador.
Sem alternativa
Perto do encerramento dos negócios, o ex-primeiro-ministro grego Lucas Papademos declarou que a Grécia não tem alternativa a não ser cumprir o rigoroso programa de austeridade exigido por seus credores. Caso contrário, segundo ele, o país seria obrigado a sair da zona do euro e isso seria ''catastrófico'' para a economia, provocando inflação e problemas sociais ainda mais graves que os atuais. Com isso, em Nova York, os mercados acionários desaceleram os ganhos no final e fecharam em direções distintas.
Declínio
O Ibovespa encerrou ontem em declínio de 2,74%, aos 55.038,75 pontos. Na mínima, o índice atingiu 55.019 pontos (-2,78%) e, na máxima, 56.586 pontos (-0,01%). O giro financeiro ficou em R$ 7,447 bilhões.
Pacote
Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um pacote de R$ 2,7 bilhões para estimular o consumo, através do corte de impostos na linha de produção de carros e no financiamento de veículos - IPI e IOF. Além disso, foi fechado um acordo para que os bancos reduzam o valor da entrada na aquisição do automóvel, alongando os prazos e cortando os juros do empréstimo. Em troca, serão liberados recursos dos compulsórios bancários.
Preocupação
Para Marcio Cardoso, sócio diretor da Título Corretora, é estranho o governo lançar medidas quase toda semana. ''Dá a impressão que a preocupação do governo com o cenário externo e o impacto negativo que virá com esta crise é maior do que estamos imaginando'', disse. Já um outro profissional avaliou que a expectativa do mercado era de que as medidas abrangessem mais setores, como o de consumo, por exemplo. ''As medidas ficaram limitadas a um único setor, não era isso que se esperava'', disse a fonte.
Queda
As ações que na segunda-feira ajudaram a Bolsa a fechar no azul, ontem devolveram parte dos ganhos e terminaram o dia em queda. Os papéis da Petrobras que subiram cerca 7% na segunda, ontem terminaram em queda. A ação ON caiu 3,25% e o PN perdeu 3,38%. Já OGX também teve desempenho semelhante, e caiu ontem 9,40% e foi destaque de queda do índice. Na Nymex, o contrato de petróleo com vencimento em junho encerrou com declínio de 0,98%, a US$ 91,66 o barril. Vale, que na segunda subiu mais de 3%, ontem caiu 1,24% na ON e 1,14% na PNA.
EUA
Em Nova York, o índice Dow Jones ficou em leve queda de 0,01%, o S&P 500 subiu 0,05% e o Nasdaq, perdeu 0,29%.
Câmbio
O Banco Central fez ontem dois leilões de swap cambial - que representam venda da moeda - no período da manhã, mas os investidores continuaram puxando as cotações para cima. A pressão foi crescendo no decorrer da tarde e a máxima do mercado à vista de balcão, de R$ 2,081 (+1,91%), foi registrada perto do fechamento dos negócios.
Dólar
No mercado à vista da BM&F, o dólar encerrou o pregão no pico de R$ 2,0605 (+0,76%) e no balcão, a moeda norte-americana terminou o dia a R$ 2,079 (+1,81%). Esse é o maior valor desde o dia 15 de maio de 2009. Pouco antes das 17h30 de ontem, o dólar junho estava valendo R$ 2,0810 (+1,69%), depois de ter batido a máxima de R$ 2,0945.
Leilões
Nos dois leilões realizados ontem, o BC ofertou 49,4 mil contratos de swap cambial, que neutralizam o vencimento do próximo dia 2 de julho, de contratos de swap cambial reverso - compra. Na primeira operação, o mercado absorveu 30,3 mil contratos (US$ 1,509 bilhão). No segundo leilão, cuja oferta foi de 19,1 mil contratos (US$ 955 milhões), o mercado ficou com 13,6 mil contratos (US$ 677,7 milhões).
Juros
De qualquer forma, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (380.865 contratos) subia para 7,87%, de 7,81% no ajuste.
(Agência Estado)





