Virada
Depois de oito quedas seguidas, a Bovespa, finalmente, conseguiu encerrar o pregão em alta ontem, se descolando dos mercados acionários internacionais. O movimento é atribuído muito mais a um ajuste técnico, do que a um distanciamento dos problemas no exterior.
O que pesou
O avanço dos papéis da Petrobras e da Vale, além de ações do setor de bancos e da OGX, também contribuiu para a boa performance da Bolsa na sexta-feira.
Insuficiente
Ontem, o índice encerrou com valorização de 0,88%, aos 54.513,16 pontos. O ganho, no entanto, não foi suficiente para anular as perdas acumuladas. Na semana, a Bolsa tem declínio de 8,30% - a maior queda semanal desde a primeira semana de agosto (1 a 5) de 2011, quando caiu 9,99%. No mês, o recuou passou para 11,82% e, ano é de 3,95%.
Extremos
Na mínima, o índice atingiu 53.856 pontos (-0,34%) e, na máxima 54.914 pontos (+1,62%). O giro financeiro ficou em R$ 8,951 bilhões.
Ajuste
O vencimento de opções sobre ações na segunda-feira e o nível atingido por alguns papéis após as fortes quedas chamam compras, segundo um experiente profissional. ''A alta de hoje (ontem) é um ajuste técnico devido ao vencimento de opções na segunda-feira. O investidor está puxando a ação. Esta alta está sendo maquiada pelo exercício'', disse a fonte, ressaltando que o mercado segue atento com a evolução do cenário internacional, e que uma guinada consistente da Bolsa só deve acontecer se houver uma melhora no mercado externo.
Facebook
No exterior, a sensação foi a estreia das ações do Facebook na Nasdaq. As ações da empresa fecharam praticamente no preço de abertura dos negócios ontem, a US$ 38,37, em alta de 0,97%. A animação com a empresa de rede social, porém, não contagiou o Nasdaq, que encerrou com declínio de 1,24%. O índice Dow Jones caiu 0,59% e o S&P 500 perdeu 0,74%.
Decidido
O Banco Central resolveu intervir no mercado no dia em que, pela primeira vez desde o início da escalada mais recente do dólar, a taxa oficial de câmbio - Ptax - foi fixada acima de R$ 2,00. Calculada no início da tarde pela média simples de quatro coletas realizadas junto às mesas de operações durante a manhã, a Ptax ficou em R$ 2,0095, com alta de 0,61%. É a primeira vez que o câmbio oficial fica acima de R$ 2,00 desde o dia 10 de julho de 2009, quando a taxa foi de R$ 2,0147.
Marcação
A presença do Banco Central nas mesas aconteceu perto do horário habitual de encerramento dos negócios. Naquele momento, o dólar à vista encontrava-se ao redor da máxima do dia, que foi de R$ 2,057. Como a operação equivale a uma venda de dólares, a taxa cedeu. Ao final do pregão, o dólar à vista estava em R$ 2,020 (+1,05%) no balcão e na BM&F (+1,14%). Pouco depois das 17h00, o dólar junho valia R$ 2,020 (+0,20%).
Volatilidade
Segundo os operadores, a atuação do BC ocorreu frente à forte volatilidade que as cotações demonstraram no pregão de ontem. Entre a mínima de R$ 1,996 a e máxima de R$ 2,057 no mercado à vista de balcão, o dólar variou 3,06%. O dólar junho oscilou entre R$ 1,9985 e R$ 2,0635, o que representa 3,25%.
Detonando
Segundo a percepção de um operador e outros profissionais, a fixação da Ptax acima de R$ 2,00 detonou a liquidação de operações estruturadas envolvendo derivativos de dólar, o que potencializou a pressão de alta do dólar e a volatilidade. Por trás disso, o mercado encontrou fôlego para puxar o dólar, mais uma vez, no cenário internacional. As preocupações com a Europa continuam aumentando. Ontem, foram realimentadas por mais uma onda de rebaixamento de bancos pelas agências de rating. Durante a tarde, também houve rumores de que a Grécia poderia fazer um referendo sobre o euro.
Juros
Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (544.630 contratos) estava em 7,75%, de 7,79% anteontem e de 7,95% na sexta-feira da semana anterior. O DI janeiro de 2014 (420.605 contratos) cedia a 8,07%, de 8,18% no ajuste e 8,47% há uma semana. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (74.650 contratos) marcava 9,46%, de 9,54% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021 (4.695 contratos) apontava 10,02%, de 10,09% anteontem e após migrar para o patamar de um dígito no intraday, a 9,94%.
(Agência Estado)

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