Voltando ao passado
A aversão ao risco em escala global fez a Bovespa perder, novamente, outro suporte de resistência e encerrar o dia de ontem com queda de 2,26%, aos 56.237,97 pontos - o menor nível desde 19 de dezembro de 2011 (55.298,33 pontos).
Fracasso
Mais uma vez, a Grécia foi responsável pelo mau humor generalizado, após o presidente grego, Karolos Papoulias, afirmar que as negociações para tentar formar um governo de coalização fracassaram e serão convocadas novas eleições.
Debandada
O resultado foi um saída em massa de investidores estrangeiros que temem os efeitos de uma possível saída da Grécia da zona do euro. ''Se houver a saída da Grécia (da zona do euro) não se sabe o que o país irá fazer para honrar os compromissos financeiros e nem os efeitos na zona do euro'', disse o diretor de renda variável da Queluz Asset Management, Maurício Pedrosa.
Expectativa
Logo cedo, no entanto, a Bolsa até operou no azul, refletindo o otimismo com o PIB acima do esperado na Alemanha e na zona do euro e também alguns indicadores considerados bons nos EUA. Na mínima, o Ibovespa atingiu 56.145 pontos (-2,42%) e, na máxima 58.024 pontos (+0,84%). O giro financeiro ficou em R$ 7,929 bilhões.
Puxão
Internamente, a queda das ações da Petrobras, que divulga balanço após o fechamento do mercado, ajudou a puxar a Bolsa para baixo. O movimento ainda foi intensificado por Vale, que vinha subindo até o início da tarde e depois passou para o campo negativo.
Sem aumento
No fechamento, o papel ON da petrolífera registrava perda de 2,68% e o PN, -2,17%. Além da expectativa com o balanço, as ações também refletiram as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, negando reajuste nos preços dos combustíveis. ''Não vai ter nenhum aumento'', limitou-se a dizer ao chegar no Ministério para a reunião do Conselho de Administração da estatal.
Lá fora
No mercado internacional, o contrato de petróleo com vencimento em junho encerrou com declínio de 0,84%, a US$ 93,98. Já Vale acompanhou parte dos seus pares no exterior e o papel ON apresentou desvalorização de 0,75% e o PNA, -0,43%. Na London Metal Exchange (LME), os contratos futuros de metais básicos negociados fecharam sem direção definida.
Desconstrução
Mais uma vez, empresas do setor de construção foram destaques de queda do índice: MRV liderou as perdas (-15,05%), seguida de PDG (-9,83%). Rossi Residencial e Gafisa caíram 7,88% e 7,08%, respectivamente.
Também caíram
Em Nova York, depois de ficar mais tempo no azul do que a Bovespa, as bolsas sucumbiram às perdas. O índice Dow Jones caiu 0,50%, o S&P 500 recuou 0,57% e o Nasdaq, -0,30%.
Para o alto...
O dólar cravou R$ 2,00 no fechamento do mercado à vista, tanto nos negócios feitos no balcão (+0,65%) quanto na BM&F (+0,49%). Analistas e investidores começam a considerar esse como um novo ponto de equilíbrio para a moeda, dado o agravamento da crise internacional e diante da tranquilidade apregoada pelo governo. Aos poucos, diminuem as expectativas de eventuais intervenções do Banco Central ou do governo para manter o dólar abaixo dessa marca.
...e avante
''A equipe econômica vai intervir sim, mas quando o dólar ameaçar a inflação e o projeto maior do governo, que é o juro baixo. Até lá, nada será feito'', avalia um experiente operador do mercado doméstico de câmbio.
Futuro
Assim, ao término da negociação normal, a taxa do contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2013 (217.820 contratos) estava em 7,84%, abaixo do ajuste de 7,91%. Já o DI para janeiro de 2014 (308.985 contratos) marcava 8,32%, de 8,38% na véspera. No trecho mais longo da curva a termo, o DI para janeiro de 2017 (52.280 contratos) indicava 9,71%, ante o ajuste de 9,77%, enquanto o DI de janeiro de 2021 (9.115 contratos) tinha taxa mínima de 10,23%, de 10,27% ontem.
(Agência Estado)

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