Realidade
A deterioração no ambiente internacional arrastou a bolsa brasileira para uma queda da ordem de 2% durante grande parte da sessão nesta quinta-feira. O Ibovespa chegou a oscilar no terreno positivo até o início da tarde, mas não resistiu, junto com o exterior, ao choque de realidade dado pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

Efeito Draghi
O Ibovespa fechou em baixa de 2,06%, aos 57.455,02 pontos, instalando-se no terreno negativo após a fala de Draghi, que puxou as bolsas norte-americanas para o vermelho já na abertura. ''Draghi levantou e derrubou as bolsas'', disse um estrategista de investimentos.

Extremos
Na máxima, a bolsa chegou a 59.217 pontos, em alta de 0,94%. Na mínima, bateu em 57.260 pontos, queda de 2,39%. O giro ficou em R$ 6,11 bilhões.

Ameaças
Draghi deu fôlego para os índices acionários subirem no início do dia, com as decisões do BCE de cortar o juro, em meio às ameaças de recessão, e de aumentar a liquidez, refletindo a preocupação com funding dos bancos na região da zona do euro.

Pancada
Mas o banqueiro central europeu também deu a pancada que frustrou as expectativas dos investidores quanto a compras maciças de títulos de países europeus e ao lembrar à comunidade internacional que o BCE não é membro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e que o Fundo não pode usar fundos de BCs para emprestar exclusivamente à zona do euro.

Decepção
Outra decepção veio com a informação da Autoridade Bancária Europeia (EBA) de que os bancos europeus precisarão levantar cerca de 114,7 bilhões de euros para cumprir novos níveis regulatórios de capital na região, superando a estimativa preliminar de 106,4 bi.

Deterioração
Um estrategista de um banco francês com operações no Brasil avalia que as tensões nos mercados financeiros tiveram deterioração significativa e as condições monetárias estão se aproximando de níveis de estresse alcançados logo após o colapso do Lehman Brothers.

Punição
Diante da perspectiva de desaceleração na demanda consumidora global em um cenário de potencial recessão no exterior, os investidores puniram as ações das blue chips brasileiras. A Vale ON recuou 2,06%, Vale PNA caiu 1,43%. Petrobras ON cedeu 3,91% e a PN perdeu 3,31%.

Petróleo
No final do dia, em Nova York, o S&P 500 caia 1,95%, Nasdaq recuava 1,67% e Dow Jones cedia 1,49%. O petróleo para janeiro na NYMEX fechou em queda de 2,14%, a U$ 98,34 por barril.


Retomada
O dólar à vista retomou a alta e fechou com forte valorização de 1,40%, cotado a R$ 1,8160 -após oscilar entre a mínima mais cedo de R$ 1,7840 (-0,39%) e a máxima à tarde de R$ 1,820 (+1,62%). Na BM&F, o dólar pronto terminou com alta de 1,30%, a R$ 1,8138. Com o resultado, o dólar balcão passou a acumular ganho de 0,39% no mês e de +9,13% no ano.

Giro
O giro financeiro registrado na clearing de câmbio até 16h41 somava US$ 1,822 bilhão, dos quais US$ 1.582 bilhão em D+2. No mercado futuro, o dólar janeiro de 2012 subia 0,94%, para R$ 1,8275, com giro financeiro de US$ 18,199 bilhão - 7% superior a todo o volume da véspera.

Euro
Em Nova York, às 16h46, o euro valia US$ 1,3327, ante US$ 1,3413 no fim da tarde de ontem. O dólar subia a 77,708 ienes, de 77,68 ienes ontem, e avançava a 0,9270 franco suíço ante 0,9235 franco suíço na véspera. O dólar Index subia a 78,857, de 78,40 ontem.

Subidas
Ao término na negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (398.950 contratos) marcava 9,81%, de 9,74% no ajuste, mas abaixo da máxima intraday de 9,84%. O DI janeiro de 2014, com giro de 183.360 contratos, subia a 10,14%, de 10,05%.

No futuro
Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (26.585 contratos) estava em 10,79%, de 10,78% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021 (6.150 contratos) indicava 10,96%, de 10,95% de terça-feira.

(Agência Estado)

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