Aversão a risco
Os bons fundamentos da economia doméstica de nada serviram ontem para conter o ímpeto de vendas no mercado acionário doméstico. A aversão a risco que predominou ao redor do globo também desembarcou aqui e a Bovespa desabou, recuando dos 55 mil pontos para o nível de 53 mil, sem nenhuma ação no azul.
Forte queda
A Bolsa doméstica terminou o dia em queda de 4,83%, a maior retração porcentual desde o tombo de 8,08% de 8 de agosto passado. Passou dos 55.981,90 pontos de quarta-feira para 53.280,28 pontos ontem, menor nível desde 25 de agosto deste ano (52.953,30 pontos). Na mínima do dia, registrou 52.706 pontos (-5,85%) e, na máxima, ficou estável, aos 55.981 pontos. O giro financeiro cresceu e totalizou R$ 8,053 bilhões.
EUA
O mau humor veio depois que o Federal Reserve anunciou a esperada operação Twist, mas chamou atenção para as condições sombrias da economia norte-americana. O Dow Jones terminou o pregão com baixa de 3,51%, aos 10.733,83 pontos, o S&P recuou 3,19%, aos 1.129,56 pontos, e o Nasdaq perdeu 3,25%, aos 2.455,67 pontos.
Europa
Os investidores também se balizaram nos números ruins da China e da Europa sobre atividade industrial para correrem para ativos menos arriscados, como o dólar. Na Europa, o índice FTSE 100 da Bolsa de Londres caiu 4,67%, a bolsa de Frankfurt fechou em baixa de 4,96%, a Bolsa de Milão despencou 4,52%, a Bolsa de Paris recuou 5,25%, a bolsa de Madri teve retração de 4,62% e o índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, fechou com desvalorização de 5,22%.
Recuo
A queda do PMI da China impactou o preço das commodities e, em outra frente, também serviu de mote para as vendas das ações de empresas de matérias-primas no Brasil. Vale, que nos últimos dias vinha subindo beneficiada pela alta do dólar, fechou ontem com baixa de 5,30% na ON e de -4,30% na PNA. Petrobras ON caiu 5,64% e PN, 5,33%. Na Nymex, o contrato do petróleo para novembro desabou 6,51%, a US$ 80,33.
Câmbio
O dólar no balcão rompeu para cima a marca de R$ 1,90, com os investidores voltando a fazer suas operações de proteção, após o retorno do BC ao mercado d câmbio via leilão de swap. A moeda norte-americana no balcão subiu 3,52%, cotada a R$ 1,9100, a maior cotação desde 17 de julho de 2009, quando atingiu R$ 1,9280. Logo após abrir em disparada e cravar a máxima intraday de R$ 1,952, alta de 5,80%, o BC anunciou o leilão de swap cambial e a moeda dos EUA perdeu fôlego e na mínima de ontem, o dólar balcão desceu a R$ 1,8450.
Escalada
A notícia foi bem recebida pelo mercado, que vinha há dias forçando a cotação da moeda para cima na tentativa de trazer a autoridade monetária de volta à arena. Mas a atuação do BC não foi suficiente para conter a escalada do dólar. Segundo operadores, a tendência da moeda dos EUA continua sendo de valorização devido à onda de aversão ao risco que está varrendo o mundo.
Dólar
Somente nesta semana, o dólar balcão acumulou ganho de 10,40%. No mês a valorização já alcança 19,82%, e no ano, 14,78%. Na BM&F, o dólar pronto fechou a R$ 1,8940 com alta de 2,35%. Na mínima, a atingiu R$ 1,8440 e, na máxima subiu para R$ 1,9030.
Mercado futuro
No mercado futuro, o dólar outubro de 2011 avançava 1,38%, a R$ 1,905, com giro financeiro de US$ 28,085 bilhões, de um total de US$ 28,176 bilhões, com seis vencimentos negociados, sendo cinco em alta e um estável. O BC ofertou na manhã de ontem 112.290 contratos de swap cambial (cerca de US$ 5,5 bilhões) num leilão realizado das 10h45 às 11 horas.
Euro
No mercado internacional, o euro reduziu bastante as perdas ante o dólar após o Financial Times informar que a União Europeia tentará recapitalizar mais rapidamente 16 bancos do bloco. Às 16h58, o euro subia a US$ 1,3477 ante US$ 1,3570 no fim da tarde de quarta-feira em Nova York. O euro era negociado a 102,83 ienes de 103,77 ienes e o euro ante o franco estava em 1,2232 ante 1,2210 da véspera. No mesmo horário, dólar passava para 76,32 ienes, de 76,43 ienes da cotação anterior, e a 0,9077 franco suíço, de 0,90 franco suíço.
Juros
Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (440.775 contratos) marcava 11,28%, de 11,36% no ajuste. O DI janeiro de 2012 (419.435 contratos) recuava para 10,69%, de 10,69%. A partir do vencimento janeiro de 2014 as taxas subiam. Esse vencimento, com giro de 179.490 contratos, estava em 11,30%, de 11,24% na véspera.
(Agência Estado)

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