Escuridão
Ninguém quer ser o último a apagar a luz. Foi por essa razão que a Bovespa caiu numa velocidade assustadora no pregão de ontem, perdendo o nível de 56 mil pontos já na abertura, os 55 mil pontos, dez minutos depois e, até a hora do almoço, já operava nos 52 mil pontos. A queda no pior momento da sessão ultrapassou 6% e, embora o Ibovespa tenha se recuperado um pouco depois disso, não teve um fechamento lá muito melhor. Nos EUA, os mercados acionário desabaram mais de 4%, e na Europa, entre 3% e 5%.

Retrocesso
A Bolsa doméstica teve hoje queda de 5,72%, a maior desde 21 de novembro de 2008 (-6,45%), retrocedendo ao nível de 52.811,36 pontos, menor patamar desde 17 de julho de 2009 (52.072,49 pontos). Com o resultado desta quinta-feira, a Bolsa recuou em todos os pregões de agosto e já acumula perdas de 10,22% no mês. Em 2011, a baixa atinge 23,80%. Por causa do movimento frenético de fuga do risco, o volume financeiro foi bastante forte e totalizou R$ 9,645 bilhões.

Tombo
O tombo decorreu de um movimento de stop loss (limite de perdas que os investidores aceitam), já visto na véspera, patrocinado pela piora do humor no mercado externo. Uma das causas foram declarações do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, que anunciou a reintrodução dos leilões de liquidez ilimitada com vencimento em seis meses.

Boataria
No mercado, correram informações de que o Banco Central Europeu (BCE) havia reativado o programa de compra de bônus de governos e adquirido papéis de Portugal e da Irlanda, mas não de Itália e Espanha, levantando questionamentos de que a autoridade poderia não estar totalmente comprometida com o programa de compra de bônus. O movimento também sugere que a barreira para uma intervenção continua alta para economias debilitadas como as da Espanha e da Itália.

Bancos
Os papéis dos bancos foram os mais prejudicados na Europa, em razão da exposição das instituições financeiras às dívidas soberanas. O índice FT-100 de Londres cedeu 3,43%, Frankfurt perdeu 3,40% no índice DAX, e o índice CAC-40 da Bolsa de Paris caiu 3,90%.

Perdas
Nos EUA, o Dow Jones tombou 4,31%, aos 11.383,68 pontos, o S&P caiu 4,78%, aos 1.200,07 pontos, e o Nasdaq perdeu 5,08%, aos 2.556,39 pontos.

Ações
No Brasil, só uma ação subiu (JBS ON, +0,47%), enquanto as ações de companhias exportadoras foram as mais prejudicadas. Vale ON, -5,77%, PNA, -5,39%, Petrobras ON, -7%, PN, -7,36%. Na Nymex, o contrato do petróleo para setembro desabou 5,76%, a US$ 86,63 o barril, menor nível desde fevereiro. No setor bancário, Bradesco PN, -3,64%, Itaú Unibanco PN, -3,11%, BB ON, -4,95%, e Santander unit, -2,25%.

Câmbio
Na máxima intraday, o dólar no balcão atingiu R$ 1,5830 (+1,34%), mas desacelerou no final para R$ 1,5820 (+1,28%), que é maior valor desde 27 de junho, quando encerrou em R$ 1,5960. Na BM&F, o dólar pronto terminou em R$ 1,580 (+1,15%). O giro financeiro total à vista na clearing de câmbio até 16h43 somava US$ 2,379 bilhões (US$ 1,970 bilhão em D+2) - cerca de 10% acima do anterior.

No futuro
No mercado futuro, o dólar setembro de 2011 saltou 1,40%, a R$ 1,5950, com um giro financeiro de US$ 19,733 bilhões ou 42% superior ao da véspera. No total, os cinco vencimentos transacionados projetavam taxas em alta, com volume de US$ 19,795 bilhões.

Leilões
Para absorver o fluxo favorável, o Banco Central manteve os dois leilões de compra de moeda, nos quais definiu as taxas de corte em R$ 1,5760 e R$ 1,5810.

Nos EUA
Em Nova York, às 17 horas, o euro caía a US$ 1,4121, de US$ 1,4320 no fim da tarde de ontem. O dólar avançava a 79,09 ienes, de 77,06 ienes ontem, e recuava a 0,7680 franco suíço, de 0,7703 franco suíço na véspera. O dólar também avançava ante a lira turca, cotado a 1,7411, de US$ 1,7101 ontem.

Juros
Na BM&F, o DI de janeiro de 2012 (584.235 contratos) passou de 12,44% ontem para 12,39% ontem. O DI de janeiro de 2013 (540.980 contratos) recuou de 12,51% para 12,35% e o janeiro de 2014 (226.620 contratos) estimou 12,42% ante 12,54% da véspera. Janeiro 2017 (65.255 contratos) recuou de 12,40% para 12,34% e o DI janeiro 2021 (2.985 contratos) passou de 12,30% para 12,25%.

(Agência Estado

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