Giro fraco


A volta do feriadão foi lenta na Bovespa, com giro financeiro fraco. A folga prolongada na Europa, que não funcionou ontem, e o clima defensivo nos EUA deixaram os investidores pouco entusiasmados em assumir posições. O Ibovespa perdeu os 67 mil pontos logo na abertura, mas não se afastou muito desse patamar no final.

Em queda

A Bolsa doméstica encerrou a última segunda-feira de abril em queda de 0,13%, aos 66.972,37 pontos. Na mínima, registrou 66.552 pontos (-0,75%) e, na máxima, os 67.124 pontos (+0,10%). No mês, o índice registra perda de 2,35% e, no ano, de 3,36%. O giro financeiro totalizou R$ 4,089 bilhões, o menor do mês.

Sem vigor

A agenda esvaziada, o feriado europeu e preocupações que não se dissipam, entre elas com as dívidas de países europeus e a inflação brasileira, deixaram o mercado sem vigor. Também foi levada em conta a entrevista coletiva de Ben Bernanke amanhã, após reunião do Fomc, na primeira vez que isso ocorre nos EUA. As blue chips fecharam em sinais contrários. Petrobras ON caiu 0,44% e PN, 0,42%. Vale ON subiu 0,98% e PNA, 0,56%. Na Nymex, o contrato do petróleo para junho terminou em baixa de 0,01%, a US$ 112,28 o barril.

No aguardo

Nos EUA, Dow Jones e S&P500 terminaram em baixa e Nasdaq, em alta. Os investidores aguardam a primeira coletiva de imprensa do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, amanhã, depois de ser anunciada a decisão sobre política monetária. A entrevista, de cerca de 45 minutos, vai inaugurar uma nova estratégia de transparência do Fed, semelhante à utilizada pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco do Japão (BoJ).

Recuos

Dow Jones caiu 0,21%, aos 12.479,88 pontos, S&P recuou 0,16%, aos 1.335,25 pontos, e Nasdaq subiu 0,20%, aos 2.825,88 pontos. Saíram dois dados nos EUA: as vendas de imóveis residenciais novos (+11,1% em março ante fevereiro) e o índice da atividade das empresas medido pelo Fed de Dallas (8,1 em abril, ante 24,1 em março).

Em alta

O dólar à vista no balcão terminou o dia em alta de 0,13%, a R$ 1,5720. Na mínima, logo após a abertura dos negócios, a moeda bateu em R$ 1,565 (-0,32%). Na máxima, de R$ 1,578, a divisa dos EUA chegou a subir 0,51%. O dólar pronto na BM&F, por sua vez, teve leve queda de 0,10%, a R$ 1,5710. Às 16h32, na clearing de câmbio da BM&F, o volume de negócios somava US$ 1,475 bilhão, sendo US$ 1,208 bilhão em D+2. Mesmo com o avanço das cotações, o Banco Central fez seus tradicionais dois leilões de compra no mercado à vista, com taxas de corte de R$ 1,5720 e R$ 1,5737.

Juros

Ao término da negociação normal da BM&F, o DI maio de 2011 (430.905 contratos) estava em 11,90%, de 11,92% no ajuste de quarta-feira; o DI junho de 2011 (554.675 contratos) recuava de 11,96% para 11,90%; e o DI julho de 2011 (414.670 contratos) cedia a 11,98%, de 12,03% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2012 (338.975 contratos) subia de 12,23% para 12,29% e o DI janeiro de 2013 (166.990 contratos) projetava 12,73% (máxima), de 12,65% anteriormente. Nos longos, o DI janeiro de 2017 (18.745 contratos) avançava de 12,63% para 12,75% (máxima), e o DI janeiro de 2021 (13.105 contratos) tinha taxa de 12,66% (máxima), de 12,53% no último ajuste.

Dívida externa

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, informou ontem que o Tesouro detém 75% dos dólares necessários para os pagamentos da dívida externa em 2011 e 2012. Com a baixa necessidade de financiamento, Garrido disse que o Tesouro pode aguardar ''momentos mais adequados do mercado'' para novas emissões de títulos no exterior. Segundo ele, a demanda continua alta. ''A demanda grande no mercado secundário significa que uma nova emissão seria bem recebida pelo mercado, tanto em real quanto em dólar'', afirmou. Ele informou que o Tesouro tem obtido os dólares necessários para financiamento da dívida externa no mercado cambial doméstico.

Influências

Garrido afirmou que o rebaixamento da dívida norte-americana e a crise em países da Europa afetaram pouco o apetite dos investidores por títulos da dívida brasileira. ''As taxas dos nossos títulos têm variado muito pouco. O Brasil tem sofrido pouco os efeitos da crise no exterior'', afirmou. Para ele, a demanda elevada reflete o grau de confiança que o investidor estrangeiro tem na economia brasileira. ''O investidor estrangeiro tende a acreditar que é seguro e rentável aplicar em títulos brasileiros no médio e longo prazos'', disse.

(Agência Estado)

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