MERCADO FINANCEIRO
Estopim
A decisão japonesa de elevar o grau de seriedade do acidente nuclear no complexo de Fukushima foi o estopim para uma onda de aversão a risco ao redor do globo. As bolsas caíram na Ásia, Europa e Estados Unidos, não restando à Bovespa outra alternativa que não acompanhar. A percepção de que o Japão pode nublar a recuperação econômica global pesou sobre as commodities e, aqui, Petrobras derreteu, seguida não de muito longe pela Vale. Poucas ações fecharam em alta.
Queda
O Ibovespa terminou a sessão em queda de 1,86%, aos 66.896,23 pontos, menor nível desde 21 de março passado (66.689,61 pontos). Na mínima, o índice atingiu 66.721 pontos (-2,12%) e, na máxima, os 68.153 pontos (-0,02%). No mês, acumula perda de 2,46% e, no ano, de 3,47%. O giro financeiro totalizou R$ 6,763 bilhões.
Preocupação
Com a revisão da gravidade para grau 7, o mais elevado, o acidente nuclear de Fukushima foi equiparado ao de Chernobyl, de 1986. A notícia levantou a preocupação de que o Japão prejudique a recuperação econômica global e afete a demanda por commodities. No caso específico do petróleo, os preços elevados já teriam criado a insegurança de queda na demanda e a commodity, novamente, fechou em baixa. O tombo ontem foi de 3,34%, a US$ 106,25 o barril, na Nymex.
Percepção
Essa percepção também foi levantada pela Agência Internacional de Energia (AIE), que constatou que a expansão da demanda por petróleo diminuiu de 4,8% em dezembro, em base anual, para 2,9% em fevereiro. Diante de um quadro de menor consumo, a Arábia Saudita também avisou ontem que deixará de produzir o extra de 500 mil barris que vinha executando desde que se agravaram os problemas da Líbia.
Em baixa
Petrobras terminou em baixa de 3,55% na ON e de 3,06% na PN. O presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, voltou a dizer ontem que o reajuste de gasolina deve acontecer caso a cotação do petróleo se estabilize em patamares próximos do atual. Vale também sentiu o baque da baixa dos metais e terminou em -2,02% na ON e -1,90% na PNA. Apenas quatro ações subiram: CPFL ON (+1,92%), Lojas Renner ON (+1,36%), Telesp PN (+0,97%) e TIM ON (+0,12%).
No exterior
No exterior, as bolsas asiáticas, europeias e norte-americanas terminaram em queda. Nos EUA, também pesou sobre os negócios as vendas mais fracas divulgadas pela Alcoa ao distribuir seu balanço trimestral, na segunda-feira. Dow Jones terminou em queda de 0,95%, aos 12.263,58 pontos, S&P recuou 0,78%, aos 1.314,16 pontos, e Nasdaq perdeu 0,96%, aos 2.744,79 pontos.
Câmbio
Na contramão da queda externa, o dólar fechou em alta em relação ao real ontem, pelo segundo dia seguido, pressionado pelo fluxo cambial negativo. Segundo operadores de bancos e corretoras consultados pela AE, investidores estrangeiros migraram da Bovespa para o mercado de câmbio, dando sustentação ao dólar, em meio à volta da aversão ao risco aos mercados globais. Ontem, o BC voltou a fazer somente dois leilões de compra de moeda à vista, cujas taxas de corte ficaram em R$ 1,5860 e R$ 1,5892.
Em alta
No fechamento, o dólar à vista estava na máxima do dia, em alta de 0,70%, cotado a R$ 1,5930 no balcão. A mínima, pela manhã, foi de R$ 1,5770 (-0,32%). Na BM&F, o dólar pronto subiu 0,54%, a R$ 1,5901. Até às 16h40, o giro em D+2 à vista somava cerca de US$ 1,5 bilhão. No mercado futuro nesse mesmo horário, o dólar para maio de 2011 avançava 0,57%, a R$ 1,5945, com um volume financeiro transacionado de US$ 16,139 bilhões ou 33% superior ao da véspera.
Euro
Em Nova York às 16h29, o euro estava em US$ 1,4481, de US$ 1,4437 no fim da tarde de segunda-feira e de uma máxima intraday de US$ 1,4520. O dólar recuava a 83,69 ienes, de 84,61 ienes na segunda, e cedia a 0,8969 franco suíço, de 0,9064 franco suíço.
Juros
Ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2012 (289.305 contratos) projetava 12,27%, de 12,31% no ajuste; o DI janeiro de 2013 (325.685 contratos) recuava para 12,71%, de 12,77% segunda, e o DI julho de 2011 (267.040) contratos estava em 12,02%, estável. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (20.445 contratos) marcava 12,64%, de 12,70%, e o DI janeiro de 2021 (3.320 contratos) indicava 12,57%, de 12,62% no ajuste anterior.
(Agência Estado)





