Temores
Receios de que o aumento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre ingresso de capital externo, já adotado na renda fixa, possa ser estendido às aplicações em ações e rumores de que no empenho para valorizar o dólar o governo possa apelar até mesmo para uma quarentena para recursos estrangeiros viraram a Bovespa para o negativo ontem à tarde. Temores de tais medidas estimularam saídas de capital externo da Bolsa brasileira, principalmente com vendas de Petrobras e Vale, ações mais líquidas do índice. Petrobras ON caiu 2,98% e PN, 3,32%, enquanto Vale ON cedeu 1,61% e PNA, 1,97%.

Ibovespa
A Bolsa brasileira fechou em queda de 1,07%, aos 69.652,10 pontos. Ao longo da sessão, o Ibovespa oscilou entre a máxima de 70.958,17 pontos, em alta de 0,79%, à mínima de 68.951,65 pontos, em queda de 2,06%, na parte da tarde do pregão. O volume financeiro atingiu R$ 7,323 bilhões, ante R$ 6,681 bilhões anteontem.

Construtoras
Papéis de construtoras, que tradicionalmente têm lugar de destaque em carteiras de estrangeiros, também sofreram com a saída desses recursos: Rossi ON cedeu 3,16%; Brookfield, 3,02%; Gafisa ON, 1,43%; MRV ON, 1,24%; PDG ON, 1,27%; e Cyrela ON, 1,93%.

Derivativos
A atuação do governo no mercado de derivativos debilitou ainda, e pelo terceiro dia, as ações da BM&FBovespa, que cederam 3,20% e figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa. Anteontem, o CMN e o BC fecharam as brechas que ainda podiam ser usadas pelos investidores estrangeiros para evitar o aumento da alíquota IOF. As resoluções editadas na quarta à noite pelo governo terão impacto nos volumes negociados na Bolsa, que só poderá ser medido dentro de 15 a 20 dias, segundo disse o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

Ações
As ações da Petrobras e Vale, que juntas respondem por 26% do desempenho do Ibovespa, foram prejudicadas também pelo enfraquecimento do preço das commodities, provocado pela desaceleração do ritmo do crescimento do PIB chinês.

Eleição
O fator eleição também desfavoreceu a Bovespa ontem, com pressão sobre ações de estatais. Papéis da Petrobras e de empresas do setor de energia elétrica e do Banco do Brasil foram afetados pela ascensão de Dilma Rousseff (PT) nas últimas pesquisas eleitorais. Na semana passada, essas ações haviam subido em razão de José Serra, candidato tucano, ter avançado nas pesquisas, e isso porque e o mercado avalia que o PSDB é melhor gestor de estatais que o PT. Cesp PNB caiu 1,39%, Eletrobras PNB, 3,92%, e Eletrobras ON, 3,93%. Já BB ON cedeu 2,56%.

EUA
Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,35%; o Nasdaq, 0,09%; e o S&P500, 0,18%. Nos EUA, os bons resultados de balanços corporativos - entre eles, os números robustos de Caterpillar, Amazon.com, AT&T e McDonald's -, ajudaram as bolsas a fechar em alta. Eles fizeram contraponto à redução das expectativas quanto à extensão das medidas que o Fed poderá tomar no início de novembro para estímulo da economia norte-americana, após a divulgação de dados favoráveis sobre o ritmo de recuperação da economia do país.

Câmbio
No fechamento, o dólar no balcão subiu 1,19%, a R$ 1,6950. Na BM&F, o pronto encerrou na máxima da sessão, cotado a R$ 1,6965, alta de 1,33%. No mercado futuro às 16h57, o dólar para novembro/2010 avançava 1,13%, para R$ 1,6990. Até esse horário, o giro financeiro total à vista somava cerca de US$ 2,507 bilhões.

Leilões
Nos dois leilões de ontem, o Banco Central comprou dólares com taxas de corte de R$ 1,6865 e R$ 1,6978. Em Nova York, o euro estava em US$ 1,3931, de US$ 1,3949 no fim da tarde de anteontem; e o dólar Subia a 81,27 ienes, de 81,16 ienes anteontem.

Juros
Ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2012 (227.220 contratos) subia de 11,27% para 11,34%; o DI janeiro de 2013 (163.000 contratos) projetava 11,78%, de 11,67% anteontem; o DI janeiro de 2014 (29.575 contratos) avançava de 11,63% para 11,78%; e o DI janeiro de 2017 (25.080 contratos) apontava 11,74%, de 11,53% anteontem.
(Das agências)

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