For­tes emo­ções
O mercado acionário viveu um dia de fortes emoções ontem. Depois de uma abertura em alta, o índice Bovespa passou parte da sessão acompanhando o mercado externo à distância, já que as blue chips subiam e continham a baixa do principal índice à vista doméstico. As perdas, no entanto, foram ampliadas no meio da tarde, quando a Bovespa acompanhou a liquidação de ações nos Estados Unidos e caiu, em pouco menos de uma hora, mais de 4 mil pontos.

Ibovespa
Passado o corre-corre, o Ibovespa conseguiu exibir recuperação e fechou em queda bem mais amena, de 2,31%, aos 63.414,22 pontos. Esse é o menor nível desde os 63.153,09 pontos de 8 de fevereiro passado. Na mínima da sessão, o índice atingiu 60.774 pontos (-6,38%) e, na máxima, os 65.533 pontos (+0,95%). No mês, a baixa acumulada é de 6,09% e, no ano, de 7,54%. O giro financeiro acompanhou a voracidade das operações e disparou R$ 10,635 bilhões, o maior desde 19 de maio de 2008 (R$ 11,701 bilhões) - não estão considerados os pregões em que houve vencimentos.

Dow Jones
A apreensão no meio da tarde, que levou o Dow Jones a se aproximar dos 10% de queda, foi puxada pelo segmento financeiro. Enquanto os investidores já se desfaziam dos papéis do setor em razão da alta exposição a títulos da dívida grega, receberam a notícia de que o Senado dos EUA aprovou uma emenda exigindo dos grandes bancos o pagamento de um seguro maior sobre os depósitos ao Federal Deposit Insurance Corp do que o pago pelas instituições menores.

Queda
O Dow Jones terminou o dia em queda de 3,20%, aos 10.520,32 pontos, depois de atingir a mínima de 9.872,57 pontos (-9,16%). O S&P perdeu 3,24%, aos 1.128,15 pontos (1.065,79 pontos na mínima, queda de 8,6%) e o Nasdaq desabou 3,44%, aos 2.319,64 pontos (2.185,75 pontos na mínima, -9%). Além dos bancos, as ações das varejistas também tiveram queda acentuada, com os números do setor divulgados ontem que mostraram que os consumidores gastaram menos do que se esperava em abril.

Vale
No Brasil, as ações da Vale e Petrobras, que contiveram a queda do índice em boa parte da sessão, acabaram sendo penalizadas na liquidação. Vale sofreu mais, já que os papéis tinham gordura para queimar. As ações ON perderam 1,42% e as PNA, 2,33% - estas foram as mais negociadas do pregão, com giro de R$ 1,581 bilhão. Petrobras ON caiu 0,26% e PN, 1,32%. Na Nymex, o contrato do petróleo para junho recuou 3,58%, para US$ 77,11.

Câmbio
Ao final de um pregão tenso, o pronto da BM&F ficou travado em R$ 1,86 desde as 15h06, com alta de 3,51%, mas a moeda no balcão avançou 3,17%, a R$ 1,8540 - maior marca desde 12 de fevereiro -, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,89 e a mínima de R$ 1,80 (5% de variação entre uma e outra). A alta porcentual foi a maior desde 7 de janeiro do ano passado.

Mercado futuro
No mercado futuro, o contrato para junho era negociado no final da tarde a R$ 1,86, alta de 3,13%. Seu limite de alta ontem, que corresponde a 6% de oscilação no dia, era R$ 1,9125, mas ele não chegou a esse ponto, ainda que tenha se aproximado bastante.

Temor
''O temor de contágio não é só de outras nações, mas o de que isso pode levar junto todo o sistema financeiro'', explicou Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora e Câmbio. Para ele, a compra de dólares não se dá, no Brasil, por aversão a risco, ''mas por necessidade de caixa'' dos investidores. Para Nehme, o fato de os bancos estarem vendidos tanto no mercado à vista como no futuro, e o Banco Central continuar a realizar leilões de compra, mostra que o mercado ''tem a convicção de que a taxa não se sustenta''. O BC comprou dólares em leilão no final do pregão, até 16h06, e fixou a taxa de corte em R$ 1,8660.

Euro
O euro se enfraqueceu ainda mais e valia US$ 1,2626 no final da tarde, de US$ 1,2816 anteontem no fim do dia em Nova York. Já o dólar também perdia feio do iene e era negociado a 90,03 ienes, de 93,66 anteontem no final da tarde.

Juros
Os juros futuros compartilharam dos momentos de pânico dos demais ativos na tarde de ontem, que resultaram em alta dose de volatilidade para as taxas. Faltando cerca de uma hora para o término da negociação normal da BM&F, os DIs abandonaram a queda vista pela manhã e passaram a subir, acompanhando o aumento do nervosismo no câmbio e nas ações. Mas, no final, davam sinais de acomodação e já voltavam a sinalizar alívio, com os contratos de curto prazo novamente em queda e os longos suavizando a pressão.

BM&F
Ao término da negociação normal da BM&F, o DI julho de 2010 (272.135 contratos) projetava 9,689% (mínima), mas chegou a bater a máxima de 9,72%, ante 9,70% no ajuste de anteontem; o DI janeiro de 2011 (743.350 contratos) cedia a 11,03%, de 11,13% anteontem; o DI janeiro de 2012 (352.570 contratos) passava de 12,48% anteontem para 12,43%; e o DI janeiro de 2014 (25.575 contratos) tinha taxa de 12,89%, de 12,85% anteontem.
(Agência Estado)

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