Te­mor
A Bovespa fechou ontem no seu pior patamar em quase três meses, depois que a aversão a risco internacional levou os investidores a liquidarem as ações generalizadamente. Apenas dois papéis do Ibovespa terminaram em alta e muitas das quedas superaram os 5%. O temor de que a crise fiscal europeia atinja outros países ganhou maiores proporções ontem diante dos rumores de que a Espanha seria a bola da vez. Além disso, para a Bolsa doméstica pesou a notícia de que a atividade econômica na China começa a arrefecer, o que puxou as commodities para baixo - já pressionadas pela elevação do compulsório anunciada no final de semana.

Ibovespa
O Ibovespa terminou o dia em baixa de 3,35%, aos 64.869,32 pontos, menor nível desde 9 de fevereiro deste ano (64.718,17). Na mínima do dia, o índice registrou 64.588 pontos (-3,77%) e, na máxima, 67.116 pontos (estabilidade). No mês, a Bovespa acumula perdas de 3,94% e, no ano, de 5,42%. Por causa da grande aversão a risco, o giro financeiro foi bastante elevado e totalizou R$ 10,082 bilhões, basicamente com vendas pesadas de investidores estrangeiros. Este giro foi o maior do ano - não estão considerados os pregões em que houve vencimentos.

Humor
Pouca coisa mudou de anteontem para ontem, menos o principal: o humor dos investidores. À percepção de que a crise fiscal na Europa não deve se limitar à Grécia se juntou ainda a notícia de que o PMI Chinês começou a mostrar sinais de arrefecimento. Com isso, a locomotiva do crescimento mundial está mais lenta e tende a dificultar a recuperação de outros países, como o Brasil, que tem na China seu principal destino de exportações.

China
O índice dos gerentes de compra (PMI) da China atingiu em abril a mínima de seis meses, de 55,4, após leitura de 57 em março. Com isso, o índice Xangai Composto recuou 1,2%. O tombo das commodities decorreu dessa notícia, somada à do aumento do compulsório pela China, anunciado no final de semana, e à decisão do governo australiano de taxar em 40% os ganhos das companhias de commodities. Além disso, podemos citar o aumento da taxa básica de juros australiana em 0,25 ponto, para 4,5%, ontem, e os temores com a situação europeia, depois que rumores indicavam que a Moody's e a Fitch também rebaixariam a Espanha, assim como já fez a S&P semana passada. As agências negaram.

Dow Jones
Os mercados europeus de ações recuaram, assim como os norte-americanos. O Dow Jones caiu 2,02%, aos 10.926,77 pontos, o S&P recuou 2,38%, aos 1.173,60 pontos, o Nasdaq terminou em baixa de 2,98%, aos 2.424,25 pontos. Saíram indicadores nos EUA, positivos, mas, ao contrário de anteontem, eles não conseguiram conter a fúria vendedora.

Vale
Com todo esse noticiário, os metais rolaram ladeira abaixo e levaram consigo as ações da Vale, que perderam 4,67% na ON e derreteram 4,85% na PNA, mais líquida. Petrobras, que vem sendo abatida recentemente por causa das dúvidas em relação ao processo de capitalização, ontem teve adicionalmente a pressão do tombo do petróleo para justificar sua queda. Além disso, o UBS se juntou ao JPMorgan e ontem rebaixou a recomendação para as ações da Petrobras, de comprar para neutra. Na Nymex, o contrato para junho perdeu 4%, a US$ 82,74 o barril. Na Bovespa, Petrobras ON recuou 3,36% e PN, 3,37%.

Câmbio
Em momentos de queda generalizada das bolsas, incluindo a Bovespa, e das commodities, dólar e iene são considerados portos seguros. No mercado doméstico, o dólar avançou a R$ 1,762 na BM&F (+1,89%) e 1,79% no balcão, a R$ 1,7610, em um dia em que abriu em alta e oscilou entre a máxima de R$ 1,7640 e a mínima de R$ 1,7400. No mercado futuro, o contrato para junho/2010, mais negociado, subia há pouco 2,01%, a R$ 1,773.

Euro
Perto das 16h40, o euro caía para US$ 1,3009, de US$ 1,3191 no final da tarde de anteontem em Nova York. O euro não caía abaixo de US$ 1,31 desde abril do ano passado. Ao mesmo tempo, o dólar era negociado a 94,38 ienes, de 94,59 ienes anteontem, enquanto a libra valia US$ 1,5177, de US$ 1,5249 anteontem em Nova York.

Banco Central
Internamente, no cenário de alta da moeda americana, o Banco Central optou por realizar só um leilão de compra, depois de intervir duas vezes ao dia nas últimas três sessões. No leilão de ontem, que aconteceu até 12h17, a taxa de corte foi fixada em R$ 1,7568. A movimentação foi até pequena hoje, segundo os operadores, e só depois que a moeda atingiu o patamar dos R$ 1,76 é que houve algum fluxo de exportador. O giro das operações com liquidação em dois dias foi de US$ 1,43 bilhão, bem inferior aos US$ 2,6 bilhões de anteontem.
(Agência Estado)

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