Ten­são
Uma escalada de tensão levou a taxa de câmbio brasileira de volta ao patamar de R$ 1,76 na sessão de ontem, após o dia relativamente morno de anteontem.
O nervosismo dos agentes financeiros com a situação grega galgou novos patamares em reação a duas notícias bastante desfavoráveis: primeiro, o aviso da Eurostat de que deve rever para cima a projeção do deficit fiscal desse país em 2009, batendo a casa dos 14% (do PIB local).

Risco
Segundo a iniciativa da agência de classificação de risco Standard & Poor's em rebaixar o ''rating'' da Grécia para o nível de grau especulativo, onde se encontram os países vistos como ''maus pagadores'' e que, portanto, precisam pagar juros mais altos levantar recursos no mercado internacional.

Negociação
Nesse cenário, o dólar comercial foi negociado por R$ 1,765 (alta de 1,14%) nas últimas operações registradas ontem, depois de oscilar entre o valor máximo de R$ 1,773 e o mínimo de R$ 1,751. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi vendido por R$ 1,870, em um acréscimo de 1,08%.

Contrato
No contrato que aponta os juros para outubro de 2010, a taxa prevista foi mantida em 10,31% ao ano; no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada cedeu de 10,87% para 10,85%. E no contrato de janeiro de 2012, a taxa prevista subiu de 12,16% para 12,19%. Esses números são preliminares e podem sofrer ajustes.

Bovespa
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) amargou o seu pior ''tombo'' desde 4 de fevereiro, em um dos dias mais nervosos do mês, e na véspera de uma reunião do Copom que pode decidir por uma forte correção dos juros brasileiros. Na cena externa, o rebaixamento do ''rating'' (nota de risco de crédito) grego detonou uma onda de aversão ao risco nos mercados.

Copom
O Comitê de Política Monetária, que decide a taxa de juros básica do país (hoje em 8,75% ao ano), iniciou ontem sua reunião de dois dias. Economistas do setor financeiro estão divididos entre um ajuste para 9,25% ou 9,50%.
O Ibovespa, principal termômetro dos negócios da Bolsa paulista, retraiu 3,43% no fechamento, aos 66.511 pontos. O giro financeiro foi de R$ 8,58 bilhões, acima da média para o mês (R$ 7 bilhões/dia). Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, cedeu 1,90% na conclusão das operações.


Números
''Os comentários que se ouvem no mercado são de que os números [da Grécia] são ainda piores do que já foi divulgado. E se for pensar nos demais 'Pigs' [sigla em inglês para Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha], você começa a ficar muito preocupado'', comenta Expedito Araújo, da mesa de operações da Alpes Corretora.

Notícias
Entre as principas notícias do dia, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou o 'rating' (nota de risco de crédito) de Grécia e de Portugal, derrubando os mercados americanos e europeus. Anteriormente, a Eurostat já havia assustado os investidores ao apontar que o deficit grego de 2009 seria revisado para cima, na casa dos 14%.

Grécia
Embora a Grécia tenha finalmente solicitado o acesso aos recursos do acordo UE-FMI, da ordem de 45 bilhões de euros (cerca de US$ 60 bilhões), essa decisão não tranquilizou nem investidores nem analistas, de olho nas dívidas de bilhões de dólares que o país precisa arcar no curto prazo. Nos EUA, o índice privado S&P/Case-Shiller mostrou um aumento de 0,6% nos preços dos imóveis desse país em fevereiro. A variação ficou abaixo das expectativas do mercado (alta de 1,2%).

Trimestre
Grandes empresas americanas reportaram hoje resultados melhores do que o esperado para o trimestre. A montadora Ford anunciou um lucro líquido de US$ 2,085 bilhões, acima do esperado, contra um prejuízo de US$ 1,427 bilhão no mesmo período do ano anterior. A UPS (United Parcel Services), a maior empresa de encomendas aéreas do mundo, informou um ganho de US$ 533 milhões (US$ 0,53 por ação), um avanço de 32,9% com relação ao mesmo período em 2009. E o conglomerado industrial 3M apontou um lucro líquido de US$ 930 milhões, ante US$ 518 milhões no mesmo período do ano passado.


Ásia

A maioria dos mercados asiáticos voltou ao campo negativo ontem. Mais uma vez, o desempenho da China foi acompanhado com atenção pelas demais bolsas da região. Este foi o caso da Bolsa de Hong Kong, cujos investidores também andaram de lado, à espera do resultado da reunião do FOMC norte-americano. O índice Hang Seng caiu 325,27 pontos, ou 1,5%, e terminou aos 21.261,79 pontos. China Construction Bank baixou 1,6%. Entre as imobiliárias, China Overseas Land perdeu 0,7% e Henderson Land deslizou 3%.

China
As Bolsas da China caíram ao menor nível em sete meses, com preocupações de que as recentes medidas para esfriar o mercado imobiliário possam afetar outros setores da economia. O índice Xangai Composto desabou 2,1% e encerrou aos 2.907,93 pontos, o pior fechamento desde 12 de outubro.

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